Pesquisa personalizada
Mostrando postagens com marcador musica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador musica. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de novembro de 2009

Guia de Resistência

Dogmas:

1. Este é um mundo medíocre. Não se engane: existe uma conspiração para transformar cada um de nós numa pessoa medíocre, ou seja, numa pessoa que se conforma ao mundo.

2. Existiram pessoas não medíocres - não medíocre = contestadoras; a Maior delas foi pregada numa cruz; outras foram maltratadas, perseguidas e desvalorizadas em vida - Vincent Van Gogh, Soren Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Mme. Jeanne Guyon, W. A. Mozart, Fernando Pessoa... Os contestadores - contestadores = não medíocres - bem sucedidos são poucos. O mundo não gosta dos que tentam estar acima dele.

3. Fama não é sinônimo de não mediocridade. Pode ocorrer o contrário. Vide o BBB. A fama pode enganar o não medíocre para que, cedendo à vaidade, se torne medíocre.

4. Contestar não é sinônimo de não mediocridade. Existem aqueles que vestem a capa da contestação e ganham muito dinheiro com isto. Observe a pessoa. O discurso dela pode soar contestador, mas... Enfim: observe. Há exceções, é claro.

Imperativo: Resista.

Recomendações:

1. Leia. Leia muito. Não só o que é fácil. Dê preferência aos escritores que viveram há pelo menos 100 anos antes de você. Os contemporâneos estão próximos demais para uma avaliação justa.

2. Veja filmes. Os antigos, em especial. Muito do que é considerado "inovador" ou "inusitado" já foi feito há 40, 50 anos, ou mais.

3. Visite galerias de arte. Museus. Se não for possível, explore outras possibilidades: livros reproduzindo os grandes pintores; sites... Olhe. Estude. Não tenha pressa. Deixe cada tela falar com você.

4. Seja maluco ou maluca: dance sozinho - ou sozinha.

5. Ouça música, a popular e a erudita. Preste atenção aos instrumentos utilizados, às mudanças de ritmo, às letras - quando houver, claro.

6. "Filosofia" significa, na origem, "amor à sabedoria". Reflita sobre isto. Ética e Estética não são luxos: tomar decisões, comportar-se no vendaval diário, e apreciar a Beleza sob as mais variadas formas, são prioridades.

7. Creia em Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo. Para conhecê-Lo, vá à fonte - Bíblia. Como diria C. S. Lewis: "esqueça tudo o que você ouviu. Descubra por si mesmo".

8. Procure outras pessoas que ajudem você e a quem você possa ajudar, para que resistam juntas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Pessoas mozartianas

Mozart

Há duas semanas venho me embebedando de uma grande paixão: Mozart.

A música de Mozart sempre me cativou. Posso dizer que foi 'amor à primeira audição'.

Desde o princípio, fascinou-me a capacidade do compositor em transmitir qualidades tão impalpáveis como a elegância - sua música, filha legítima do classicismo do século XVIII, é francamente refinada - e emoções sempre bem-vindas como a alegria.

A alegria, em Mozart, é esfuziante e buliçosa; como uma criança traquinas a correr pelos cômodos de uma casa, porém vestida como um príncipe - combinação intrincada, esta, entusiasmo infantil & requinte - contudo, o compositor obtinha sucesso na mistura.

Há mais. À medida que eu, adolescente e depois jovem adulto, e depois um homem, ouvia e tornava a ouvir Mozart, ia descobrindo aos poucos as sutilezas mozartianas - o modo como o compositor do Concerto para Clarinete K 622 escondia, sob uma "forma" bem comportada, "canônica" no sentido clássico da palavra, as suas inovações e ousadias.

Muito me escapa, porque não sou especialista em música. Celebro, ainda, a ignorância de quem não sabe distinguir Haendel de Vivaldi ou Tchaikovski, nem de outro compositor cuja grafia do nome eu também vou errar. O que consigo captar, porém, deixa-me maravilhado. A propósito disto, me ocorreu uma nova qualificação para pessoas: mozartianas.

Não me refiro àqueles que amam sua música ou estudam-na. Fiquei pensando nas pessoas cuja beleza, seja física ou moral, não percebemos à primeira vista. Como composições de Mozart, temos de observá-las, ouvi-las, e mais de uma vez, e outra ainda.

Assim como a obra do gênio de Salzburgo só desvela aos poucos seus segredos, a beleza de certos indivíduos só pode ser percebida após um segundo, um terceiro olhar. Uma beleza sutil, humilde, preciosa; rara, ao contrário do "açúcar" excessivo encontrado em certas fisionomias.

A beleza moral, aquela que vem de virtudes pouco glamurosas - como a lealdade, a compassividade e a paciência - só pode ser compreendida, 'vista' devagar, na convivência do dia-a-dia, na passagem do tempo.

Uma beleza meio oculta, profunda, não exibicionista, discreta, como na literatura de um Henry James e na poesia de um Manuel Bandeira, por exemplo.

Tenho o privilégio de conhecer algumas pessoas mozartianas - algumas são meus amigos e amigas, pessoas cuja beleza interior só lentamente venho descobrindo e amando.

Este post é para elas. Meu muito obrigado!

sábado, 22 de março de 2008

Vai um cordel aí?

Nordestino orgulhoso que sou, admito que me seja extremamente bom ostentar, neste blog, o mundo do encantamento da quimera; da valentia; do matuto; do cangaço; do religioso; e do que não poderia faltar: o gracejo.

E é com esse mesmo pensamento que coloco a minha vida lado a lado com a sua, leitor, em um mesmo cordão: a LITERATURA DE CORDEL.

Poesia de mestria única, a literatura de cordel traz muito da real importância nordestina. Podendo arrebatar aos nossos corações a esperança do retirante; a estreiteza de um agricultor na seca; o singular do ambiente sertanejo; o poeta como representante do povo; ou, e principalmente, a alegria de ser alguém que enxerga nas próprias mãos calejadas a prova do trabalho honesto que, se muitas vezes não sustenta o corpo, sossega a alma.

O povo atribui a literatura de cordel apenas como folheto, visto que a origem de seu nome de dá pelo fato do mesmo ser vendido em folhetos rústicos, presos por pregadores de roupa, e pendurados em barbantes (cordéis).

Porém, essa atribuição é totalmente equivocada. A literatura de cordel não pode ser explicada apenas como uma poesia narrativa impressa; eis que ela é, acima de tudo, jornalismo POPULAR, onde elementos modernos se misturam a tradicionais.

Então, independente de você ser um bom escritor ou não; nordestino ou não; amante de cordéis ou não; você faz parte do povo, logo, essa arte também é sua.

E se de literatura de cordel estamos falando, não poderei eu deixar de recitar, em voz alta e clara, a forma melodiosa e cadenciada que ela é.

Com vocês, “Ai se Sesse”, do poeta Zé da Luz, por Cordel do Fogo Encantando:

"A gente vem lá do sertão de Pernambuco, cidade chamada Arcoverde. O poeta Zé da Luz, do início do século, escreveu uma poesia, porque disseram pra ele que pra falar de amor era necessário um português correto e tal. Aí Zé da Luz escreveu uma poesia chamada "Ai se Sesse", que diz assim:

Se um dia nós se gostasse
Se um dia nós se queresse
Se nós dois se empareasse
Se juntim nós dois vivesse
Se juntim nós dois morasse
Se juntim nós dois drumisse
Se juntim nós dois morresse
Se pro céu nós assubisse mas porém se acontecesse
DeSão Pedro não abrisse a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu com eu insintisse
Prá que eu me arressôvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nós dois ficasse
Tarvês que nós dois caísse
E o céu furado arriasse e as virgi todas fugisse..."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Vamos ouvir Caruso

Conheci Caruso através do filme Match Point, de Woody Allen, cuja trilha sonora é 99% Enrico Caruso; a paixão foi instantânea, quase premonitiva. Meu contato com a música erudita foi tardio, mas, aos poucos, estou aprendendo a me permitir o prazer de apreciá-la em sua forma mais autêntica.

Melhor tenor de todos os tempos, sua capacidade musical não possuía limites. Não há dúvidas de que Caruso é o gênio do Canto.

Sua técnica vocal era perfeita. A forma suave de utilizar a vibração toráxica deixava a sua voz com uma aparência de masculinidade, apesar de ter conservado aveludada a sonoridade, de modo que era comparada ao som de um violoncelo.

Sua voz de tenor dramático, até mesmo abaritonada, em meio aos inúmeros chiados das gravações mecânicas da época, se destaca; e até hoje é modelo de beleza e de interpretação.

Há uma ária que acho maravilhosa, já a ouvindo por diversos outros tenores, como Pavarotti e Andrea Bocelli, porém com interpretação nada igualável. Pavarotti e Bocelli deixam a ária absolutamente... Sem sal.

Com Caruso, a interpretação da ária é dotada de uma carga emocional tão grande, que o brilho de suas notas agudas, seu controle excepcional da respiração e sua entonação impecável tornam sua voz sem par.

O próprio Pavarotti comentou que ele (Caruso) é a base, o alicerce sobre o qual se apóia o edifício do tenorismo do século XX. Caruso criou um novo tipo de tenor e os ecos de sua escola se escutam até os dias de hoje nas interpretações dos grandes tenores contemporâneos.

Sua voz escura, baritonal, aveludada, romântica e maleável, não encontra paralelos com as demais de sua corda. Dotado de genial inteligência e talento, a sensibilidade e sinceridade de seu canto me extasiam. Caruso funde um timbre natural de barítono com um acabamento fluente e sedoso de tenor.

Lembrando novamente de Match Point, recomendo-o. A trilha sonora do filme é fascinante. Personagens profundos, atores maravilhosos. Os diálogos, a temática filosófica, tudo. E Caruso, claro.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Richard Wagner - Uma transcendência

Sem entender muito como existem pessoas capazes de pagar cerca de R$ 300,00 para as mesmas atrações duas ou três vezes ao ano, que sempre tocam as mesmas músicas e com o mesmo ritmo, resolvi abrir espaço para protestar!

Não que eu tenha algo pessoal contra aqueles que gostam desse tipo de musica, mas é um comportamento que denota no mínimo falta de massa encefálica. Bom, não é essa a questão que interessa.

A verdadeira Apostasia é terem usado a música divina de um gênio, na propaganda deste tipo de evento. Num refugar de tambores, ao ressoar os portentosos acordes de 'A Cavalgada das Valquírias', de Wagner, foi anunciado um festival de Axé!

Antes que blasfemem e anunciem a shows de Tecnobrega com o 'Tristão e Isolda', cabe a esse blog dar ao gênio alemão o verdadeiro reconhecimento à sua magnificência.

Talvez tão importante na história da música quanto Bach, Wagner é Fantástico. Suas óperas são uma maravilha de drama em música, culminando claramente no magnífico 'Tristão e Isolda' e no monumental e incomensurável 'O Anel do Nibelungo', sem esquecer, claro, do belíssimo 'Parsifal' - inspirado no Cálice Sagrado, O Santo Graal.

A criação dos ambientes musicais é uma especialidade do compositor alemão, como em 'Tannhauser', uma metáfora em forma de ópera.

Melhor compositor de ópera todos os tempos , melhor que Mozart, Verdi, Beethoven etc. Com todos os defeitos pessoais, Wagner nos deixou um obra muito mais importante que todos os compositores somados e elevados ao quadrado.

Tão humano quanto os grandes gênios (BMB), não foi um prodígio, não ficou surdo, sua vida não foi um sucessão de desilusões amorosas. Certo que ele tinha traços bons e ruis! Todos nós temos! Mozart não foi um santo, muito mesmo Bach, nem mesmo Beethoven.

O grande problema é que Wagner foi apropriado indevidamente como ferramenta da propaganda nazista (bom gosto musical, pelo menos!). Mas o fato da música de Richard Wagner ter sido apropriada como ferramenta nazista teve seus fundamentos.

A própria filosofia de Wagner tinha caráter anti-semita. Claro que ele nunca imaginou que um dia suas atitudes anti-semitas chegariam ao extremo. Anti-semita, mau caráter, tudo isso, mas gênio absoluto.

A obra redime o homem e Wagner fez algo em que era realmente bom: Óperas. A ideologia de um compositor/intérprete não importa muito de ele não for competente, e isso Wagner era muito!

Há um livro muito interessante sobre o assunto: 'Wagner e Nietzsche e a filosofia do pessimismo'. É importante salientar que Wagner não era nazista ou proto-nazista. Muito menos Nietzsche. E só!

Voltando a falar de música, Wagner foi o mais romântico de todos os compositores, suas óperas revelam isso, tanto na forma de expressão quanto no enredo. Na temática das óperas vemos esse romantismo.

Wagner implodiu o sistema tonal exatamente para conseguir uma maior gama de expressões. Richard Wagner libertou a música, ela não não precisa de adequar ao sistema tonal, o sistema tonal que tem de se adequar a ela.

Wagner deveria ser lembrado sempre como o maior de todos os compositores, não pelo papel que exerceu, mas pela qualidade de sua obra. E não ser lembrado em uma abertura de um festival de axé.

Para quem não conhece, um conselho: ouça Wagner, e não deixe se assustar pelo tamanho de suas obras, a música é ainda maior.

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Mágica no absurdo

Não é segredo de ninguém que eu não simpatizo o estilo musical forró. O que não quer dizer que o deteste de todo, pois sempre há o que se aproveitar em (quase) qualquer coisa.

Na verdade, sinto-me confortável com a idéia de pertencer a uma elite, a um grupo restrito, ao contrário de intelectuais estrebuchantes pseudo-revoltados que adoram escarrar o bordão "morte aos forrozeiros", numa demonstração intolerante de quem se acha proprietário da verdade absoluta, e que almeja o dia em que todos pensem e ajam exatamente como eles.

Particularmente, não tenho motivos para odiar os forrozeiros, ou todos aqueles que apreciem "arte ruim". Primeiro, se eu for odiar todos os que gostam de "arte ruim", dos forrozeiros, pagodeiros aos noveleiros, não farei outra coisa na vida, tão numerosos eles são. Segundo, eles nunca me proibiram de escutar o que eu quero.Terceiro, sim, meus caros, eu confesso. Sei que alguns hão de me repreender, me censurar... Pois sim, confesso: fui à um show de FORRÓ.

Por que diabos estou falando tudo isso afinal? Chegamos então ao principal: no final de semana passado - aqui em São Luís, rolou um evento com umas bandas de forró (não direi quais, pois não pretendo fazer merchandise à ninguém).

Todos sabem que gosto de outros estilos de música. Mas o que faz o evento ser digno de nota foi uma revelação que já vinha se ensinuando nas malhas do cotidiano e que, finalmente, resolveu aparecer as claras: Estou disposto à gostar deste estilo musical.

Adorei o show, pelo fato de desfazer o principal mito que envolve o forró: o de que as letras são vazadas e repetitivas, onde apenas as pessoas dotadas de pouca massa encefálica produzem e consomem; o show mostrou-me que essa realidade pertence, definitivamente, ao passado.

As variações de estilo e tendência das bandas de forró trazem novos tons de voz e novas possibilidades líricas e musicas para a cultura musical brasileira.

Nunca simpatizei com a idéia de falar bem deste estilo musical, ainda mais que fui apenas a um show, mas creio que não faz mal falar sobre algo que me proporcionou um leque infindável de possibilidades artísticas.

A abertura foi grandiosa, tive à minha disposição toda a gama artistica antes desconhecida por mim, por isso às explorei o tanto quanto pude. E, embalado no belíssimo das melodias do forró, recebendo o doce carinho de minha namorada, Elisa, puxei-a para dançar, ao sabor de um delicioso refrigerante - sim, eu não bebo mais - e da música, arrebatado por um novo devaneio. Certa vez, Lobão disse que "nem sempre se vê mágica no absurdo". Parafraseando outro brasileiro ilustre, eu posso dizer que, sim "meninos, eu vi".