Pesquisa personalizada
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de maio de 2011

O Verdadeiro Amor Cristão

Arthur W. Pink

O amor é a Rainha das graças cristãs. É uma santa disposição nos dada quando nascemos de novo de Deus. É o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. O verdadeiro amor espiritual é caracterizado pela mansidão e ternura, todavia, é vastamente superior às cortesias e bondades da carne.

Devemos ser cuidados para não confundir sentimentalismo humano, alegria carnal, amabilidade e afabilidade humana com o verdadeiro amor espiritual. O amor que Deus ordena, primeiramente para com Ele e então para com os outros, não é o amor humano. Não é um amor indulgente e egoísta, o qual já está em nós por natureza.

Se indulgentemente permitirmos que nossas crianças cresçam com pouca ou nenhuma disciplina, Provérbios claramente diz que não as amaremos, a despeito da sentimentalidade humana e da afeição que podemos sentir por elas.

O amor não é um paparicar sentimental de um para com o outro, com uma indiferença para com o nosso andar e obediência diante do Senhor. Encobrir as faltas dos outros para nos agradar na estima deles, não é amor espiritual.

A verdadeira natureza do amor cristão é um princípio justo que busca o mais alto bem dos outros. É um desejo poderoso de promover o bem-estar deles. O exercício do amor deve estar em estrita conformidade com a vontade revelada de Deus. Nós devemos amar na Verdade.

O amor entre os irmãos é bem maior do que uma sociedade agradável onde as visões são as mesmas. É amá-los porque nós vemos a Cristo neles, amando-os por causa de Cristo.

O próprio Senhor Jesus é o nosso exemplo. Ele não foi somente atencioso, gentil, auto-sacrificante e paciente, mas Ele também corrigiu Sua mãe, usou um chicote no Templo, censurou severamente as dúvidas dos discípulos e denunciou os hipócritas.

O verdadeiro amor espiritual é, acima de tudo, fiel a Deus e inflexível para com tudo o que é mal. Nós não podemos declarar, 'Paz e Segurança', quando na realidade, há decadência e ruína espiritual.

O verdadeiro amor espiritual é muito difícil de exercitar, pois não é nosso amor natural. Por natureza, nós amamos sentimentalmente e produzimos bons sentimentos. Além disso, muitas vezes o verdadeiro amor espiritual não é recebido em amor, mas é odiado como os fariseus o odiaram.

Devemos orar para que Deus nos encha com Seu amor e nos capacite a exercitá-lo, sem dissimulação, para com todos.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 22 de Janeiro de 2005.

ACORDE IGREJA

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!



Passados doze meses de um escrito quanto ao que a humanidade fez com o Natal, hoje, como um homem convertido em Cristo, observo que algumas igrejas têm-se questionado se é necessário comemorar o Natal.

Na verdade, algumas igrejas até eliminaram, de uma forma abrupta, o culto de Natal; outras proíbem até falar do Natal ou alguma coisa parecida. A base que eles têm é a defesa de alguns líderes acerca da intromissão do paganismo nesta festa e comemoração.

Dizem, com razão, que árvores de natal, Papai Noel, presépios, troca de presentes, guirlandas e velas, dentre outros, vieram do paganismo. Também afirmam que, como ninguém sabe a data certa do nascimento de Jesus, então não podemos comemorar esta data.

Agindo assim, a Igreja do Senhor demonstra-se imatura, infantil e sem firmeza na Palavra de Deus. A igreja, às vezes, faz como Jesus falou em Mateus 23-24: "côa um mosquito e engole um camelo", e tem abandonado algumas coisas essenciais e se apropriado de outras completamente prejudiciais à sua vida.

Deixar de comemorar o Natal por estar misturado com algumas coisas do paganismo é como se jogasse a água suja, a banheira e a criança fora.

É verdade que todas as festas consideradas universais foram misturadas com o paganismo, tanto por uma ação de Satanás, como pela cobiça humana de vender e consumir. Mas não podemos deixar de comemorar uma das festas mais significativas à humanidade, que é o nascimento de Jesus Cristo.

Se pensarmos desta maneira, não iremos comemorar nenhuma festa cristã que seja universal como, por exemplo, a Páscoa, que vem como símbolo o coelho, ovo, chocolate etc.

Deixar de comemorar a Páscoa é falta de sensibilidade espiritual e maturidade de saber separar as coisas essenciais das sem significados e sem base.

É preciso falar os verdadeiros significados, tanto do Natal, como da Páscoa ou outra festa qualquer, tirando os símbolos que não tem nada a ver com as respectivas festas - incluindo árvore de natal, Papai Noel, coelho, ovo, chocolate etc. Mas abandoná-las por completo é deixar de mostrar ao mundo o seu verdadeiro significado. É deixar o mundo sem respostas. É tornar-se como sal insípido, que não testemunha a verdade de Deus.

Apesar de ninguém saber o dia certo do nascimento de Jesus Cristo, não implica dizer que não podemos comemorar, pois um dia Jesus Cristo teve de nascer e já que ninguém sabe o dia certo, convenciona-se o dia 25 de dezembro.

Por que se comemorar tantas coisas sem significados, como dia das bruxas e não se comemorar o dia do nascimento de Jesus Cristo?

Deixar de comemorar o Natal porque não sabemos a data certa, é uma ação impensada e não inteligente. Paulo chegou a dizer que se fez de "fraco para ganhar os fracos", que teve de fazer votos para ganhar os judeus.

Que Igreja é esta que em vez de criar uma estratégia para falar do verdadeiro significado, corre disto e enfia-se na caverna, reclamando como Elias: “ninguém sabe a data do nascimento de Jesus, Senhor, por isso não comemoramos o Natal” - adaptação minha, rs.

Quando se evita de comemorar o Natal e ainda se afirma que ninguém sabe a data certa, este comportamento abre margem para questionamentos, como: ora, se nem a igreja sabe o certo, será que Jesus Cristo nasceu mesmo?

O Natal corrobora a historicidade do nascimento de Jesus Cristo, abrindo a mente das pessoas para o episódio como a comemoração do descobrimento do Brasil e outras datas importantes.

Tenho a questão da data como algo tão importante, que Deus pediu ao povo no deserto que comemorasse a Páscoa exatamente por isto: para que eles nunca esquecessem e soubessem da sua historicidade - "esse dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo" (Êxodo 12.14).

Que entendimento se tem diante disto?! Vê-se claramente que Deus sabia da importância de se ter um dia para comemorar. A igreja quando se escusa disso, está deixando de ter como memorial e assim testificar a sua historicidade.

É como se a própria Igreja não soubesse o verdadeiro sentido do Natal. Alguns poucos podem até dizer de uma forma simplista: é o nascimento de Jesus Cristo, mas não sabem o que isto implica.

Acredito que estes estejam entre os que tiraram o Natal de suas igrejas.

Vale lembrar que o Natal fala da cruz também. É uma oportunidade para se falar da grande razão do nascimento de Jesus Cristo: a salvação das vidas. Tirar esta comemoração é deixar de dar o maior testemunho do Evangelho.

Não foi à toa que os Magos do Oriente vieram por divina revelação para adorar a criança. O que Deus queria fazer era que as pessoas questionassem, pois segundo a Palavra, Jerusalém toda ficou alarmada - Mateus 2.3. Se Deus não quisesse que não houvesse testemunho, não teria deixado que os magos viessem de tão longe e alarmado Jerusalém.

Nota-se que Deus fez questão de manifestar aos pastores por meio dos anjos, os quais "contaram a todos que tinham visto" - Lucas 2.15-18.

Se a Igreja deixar de comemorar o Natal, mais uma vez omite o seu testemunho por causa de sua imaturidade.

É tempo da Igreja se unir e mostrar o verdadeiro valor do Natal e seu significado.

Se houver omissão do testemunho do verdadeiro significado do Natal, a Igreja estará ratificando o testemunho pagão. Isto sim é errado, vergonhoso e pecaminoso; pois onde a Igreja deveria testemunhar, ela fica como tartaruga escondida no seu casco, sem questionar nada, apenas dizendo como papagaio, o que os outros disseram ou pensam.

Portanto, quero terminar este post desejando a todos um Feliz Natal.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Da desculpa de que a carne é fraca

Desde criança - e mais ainda após convertido em Cristo, sempre ouvi pessoas e mais pessoas fugindo de seus erros, utilizando-se da risível desculpa de que "a carne é fraca".

Nunca percebi o porquê de se dizer isto. Afinal, que culpa tem a carne das nossas fraquezas?

Fracos somos nós - e mentirosos!

Enfraquecemos quando não sabemos o que queremos. Esta é a verdade!

E o que mais me assusta em tudo isso é que a grande maioria de nós não só se utiliza dessa desculpa, como também a aceita.

Sim... Nós!

Acredito que, quando se sabe o que se quer, não há carne que nos faça cometer erro algum e, melhor analisando, suponho que essa expressão tenha vulgarmente nascido como desculpa para o pecado sexual.

Verdade seja dita: quem, num momento ou noutro, não sentiu uma atração e tentou algo com a colega de trabalho; com a professora; com a vizinha do lado; com a namorada ou mãe do melhor amigo; com a namorada do pai; como a amiga ou namorada do irmão... Isto para os homens; para as mulheres, basta que se mude o gênero...

... Sei lá, aparecem em nossa vida tantas pessoas com "bom aspecto", que acabamos olhando para estas, e pensamos: "eu até comia!" – carne!

Então não temos o direito de sentir atração e tentar algo com o outro, Yuri? Sim. É claro que temos!

Evidentemente, essa parte de nós está sempre viva... Ela é natural; física e cientificamente provada que acontece a todos!

Agora, dizer que a carne é fraca, quando na verdade o que se passa é em outro nível, isto é que não!

Na verdade, dizer que "a carne é fraca" não serve como desculpa para nada de nada!

A carne não se entrega, não se envolve, não se partilha. A carne se come. E enquanto se come, dá prazer - ou não! E depois... Depois levantamos da mesa e vamos embora.

É como ir a um restaurante comer e voltar para casa, perguntar à sua esposa o que se tem para o jantar, e comer novamente. Comer, gostar, adormecer feliz com a última refeição... E nem sequer pensar na refeição do restaurante!

Sim, Yuri, mas e quando há o gostar; o querer... E quando há toque de e no espírito?

Respondo: uma coisa é carne, outra coisa é espírito!

O espírito envolve muita coisa. Ahhhhhhhh, o espírito! O espírito é onde se guarda toda a nossa essência. O nosso ser. As nossas emoções. É o que chamamos de alma. E o pior – que é inteiramente diferente do que se está discutindo aqui, o espírito é onde se guarda as pessoas com quem estamos emocionalmente envolvidos.

Não aceito que me venham dizer que um envolvimento emocional, por exemplo, o querer estar nos braços de outra pessoa; o querer olhar nos olhos do outro; partilhar um por de sol ou um momento de silêncio; o querer tocar levemente nas mãos do outro; o sentir o coração a palpitar durante um abraço; o sentir borboletas no estômago quando os olhares se cruzam, seja carne.

O espírito pressupõe uma entrega verdadeira e honesta do nosso eu! Não há "baralhação" possível a estas duas situações. Não há como baralhar!

Um leva-nos a fazer sexo, outro leva-nos a fazer amor - ainda que não haja sexo!

Obviamente que a entrega de espírito pode nos levar também a entregar o corpo, mas isto é um pormenor que deixa de ter importância. Afinal, quando o espírito for entregue, o corpo também será...

E o que há de mais penoso em tudo isso é quando nos utilizamos dessa expressão para nos desculpar de uma traição. Entendo que nesta situação não se deve pedir desculpas, mas a compreensão. É aceitar... Ou não!

Ora, por favor! Isso não é ter a carne fraca. Isso é ter um compromisso fraco!

Digo convicto que somos nós que mandamos no nosso corpo, portanto podemos perfeitamente controlá-lo! Eu, Yuri Almeida, erro porque eu quero – carne, novamente!

Ante tudo isso, surge-me uma pergunta: o que é que custa mais a perdoar afinal, uma traição de corpo, ou uma traição de espírito?

Outra... Seria um pedido de desculpas de uma traição, sincero? Ou o amor é um sentimento que perdoa a culpa?

sábado, 25 de julho de 2009

Da não-leitura: a cultura do verniz

Mergulhe de cabeça da leitura

Comecei a ler O Cânone Ocidental, de Harold Bloom. O subtítulo é expressivo: "Os livros e a escola do tempo". Grande verdade.

Vivemos numa época pretensiosa. Em toda parte, pretensos intelectuais apresentam afirmações questionáveis - sobre religião, sobre literatura, sobre filosofia, cinema, arte - que poucos refutam.

É fácil explicar o porquê. Nossa época é também uma época ignorante; mas como, pretensão e ignorância juntas?

Se parece esquisito, basta nos lembramos que as pessoas verdadeiramente cultas são humildes. Elas sempre estão dispostas a aprender. Elas percebem, continuamente, o quanto ainda há para aprender, por mais que se instruam.

... Só os pouco instruídos são arrogantes.

Não estou falando das pessoas com nenhuma ou pouca instrução formal. Falo das que aprenderam um pouco mais, talvez adquirindo inclusive algum ou alguns diplomas, e julgam-se, já, prontas para tudo. Capacitadas a dar seu veredito sobre tudo.

O espírito do que costumo chamar "ouvir o galo cantar e não saber aonde" é a tônica do nosso tempo.

Um livro - falo do que conheço melhor, e amo - é lançado como 'polêmico', uma 'obra madura e sensível' e muitos correm para comprar - nem sempre leem, mas compram.

Logo alguém - um crítico - lê e diz que é uma obra de arte. E todos que compraram, ainda que sem ler, concordam.

Concordo que gosto não se discute. É gosto, e pronto. Nada a declarar. Porém, escrever resenhas profissionais, lecionar em escolas - duas atividades que ajudam a moldar ou aprimorar gostos no sentido crítico do termo - repetindo modismos, sem qualquer análise, é uma impostura.

Existe um instrumental para estabelecer critérios literários. Perfeito? Não. Um instrumental indispensável, contudo.

Ler. Ler. Ler muito. Ler os grandes. Ler os clássicos. Ler aqueles que resistiram ao teste do tempo.

Somos facilmente enganados por qualquer charlatão das letras que se apresente escrevendo ficção, poesia, ou obras 'revolucionárias' quando desconhecemos o passado, aquilo que já foi feito antes.

Podem plagiar para nós toda uma cena de Henrique IV, de Shakespeare, e ninguém perceberá. Ou muito poucos.

É verdade que nem sempre temos acesso às fontes que nos permitem esse conhecimento. Ainda assim, boa parte - não toda que deveria, mas boa parte - dos clássicos e de outros instrumentais críticos está à nossa disposição.

O maior problema para nossa ignorância, penso, não se encontra aí; encontra-se em nós mesmos.

A ignorância frequentemente é preguiçosa. Isso também nada teria de mais - ninguém é obrigado a ler o que não quer - se não estivesse aliada à pretensão.

Porque, se quero ditar padrões aos outros, se quero emitir opiniões como crítica séria, tenho de mourejar. E ler os clássicos; os pioneiros; os precursores. Os que vieram antes de mim, porque terem vivido em outra época em que não havia internet não significa que fossem burros ou simplistas.

Cada época parece pensar que a sua é a única época desenvolvida, culta, avançada etc. Avançada tecnologicamente a nossa o é. Mais do que qualquer outra antes de nós. Quanto à cultura, discutível.

Temos oportunidades hoje que nossos avós nunca tiveram; raros os que as aproveitam. Preferimos a ignorância, ou melhor, o 'verniz' de cultura ou instrução. E nos julgamos muito inteligentes por isso.

Há uma frase atribuída a Sócrates - Só sei que nada sei - que me parece divisora de águas, aqui. Se podemos endossá-la, então, penso, estamos dizendo que ainda não sabemos muito; que nosso empenho em crescer, em aprender, gera maior humildade.

E não nos arvoraremos em juízes para dizer que ler o passado é perda de tempo, ou que ler o presente é suficiente. Sejamos humildes.

domingo, 5 de julho de 2009

Poliglotas de nossa própria língua

Essa nossa língua portuguesa é realmente um "show" de preciosidades. Eu tinha acabado de ler uma reportagem antiga, na revista Veja, sobre o embate entre o anterior português e o atual, lusco, sobre o "falar direito", quando toca o interfone.

Do outro lado, uma voz, em melancólico, pedindo; "Sr., tenho passado por muitas dificuldades. O Sr. me daria uma ajuda?"

Ainda sob o influxo da reportagem, fui colhido de surpresa. Sério.

Há tempos não ouvia um português tão culto, com emprego do verbo num modo misto de presente contínuo - a pobreza continuada - e o passado - não só pelo verbo passar, mas pelo emprego da clássica forma composta para "evitar" o uso do gerúndio proscrito na fala culta, tive de deferir o pedido.

Quem sabe, polidamente, na dúvida se eu sou, à essa altura, portador de SPC - síndrome de pobreza cultural. E humildemente o reconheço, posto que a demonstração disto seja o fato de eu não ter encontrado uma outra de nominar, no português culto, o "show".

A lingua é realmente inculta e bela. Não dá para não repetir o poeta. Somos poliglotas de nossa própria língua.

Tenho pena dos vestibulandos, pois na redação que prestam em seu processo de aprovação, eles se obrigam a fazê-lo com o uso do "português culto".

Eles, portanto, têm que saber "falar direito" para "escrever direito".

E, nestas circunstâncias, claro, ficam impedidos de se arriscar no uso melódico de frases que necessitam dos pronomes "tu" e "você".

Se o misturarem num mesmo texto, estão, literalmente, "no sal".

Me vem aquela reclamação de Monteiro Lobato, em suas cartas trocadas com Godofredo Rangel, quando se refere ao maniqueísmo das gramáticas. Nelas, as cartas, ele proclama sua liberdade de falar num linguajar coloquial: "eu não fiscalizo gramaticalmente minhas frases". E sentenciou, "da gramática eu sou a personificação da ignorância".

O fato é que, se Monteiro Lobato fosse prestar um vestibular hoje, estaria sujeito a ser reprovado. Veja o absurdo a que chegamos. Por outro lado, não teríamos a exuberante liberdade que ele distribui à criançada, com suas estórias, a ponto de permitir - com o protesto dos católicos - o batismo de um rinoceronte por uma boneca de pano fazedora de traquinagens, com o exemplo mais contundente da "arbitrariedade do signo", de Saussure.

Se temos um Brasil criativo hoje, muito devemos a Lobato, pois, não escrevendo "direito" - falar talvez o falasse, pois era da área jurídica, ele mais que muitos outros, divulgou a beleza de nossa língua inculta.

Quando ouvi o pedido inusitado do moço ao interfone, logo imaginei que eu talvez tenha lido e aprendido com Lobato. E fiquei logo, também, ansioso para divulgar o meu modo de pensar.

Agora, fico eu, mui agradecido ao insólito rapaz, com minhas indagações sobre o pobre culto ou o culto pobre.

Ôpa! Olhe que riqueza, leitor!!! As palavras mudam de posição e invocam nova idéia.

Tomara - adoro expressões que vêm o português arcaico - que ninguém se apoquente comigo.

Hoje estou influenciado por Lobato. Sem muito gramatiquês. Como ele mesmo disse: "um burro bem arreado de regras será eminente".

quinta-feira, 18 de junho de 2009

STF acaba com a obrigatoriedade do diploma de jornalista: fim do lengalenga

Passados três meses sem um post - devido à promessa e falência intelecto e sentimental minha, um tema de gostoso assunto tomou conta do país, e, por conta disto, resolvi dar as caras.

Ontem, 17, por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência do diploma de jornalista para exercício da profissão.

Na avaliação do presidente do STF – e relator do caso, ministro Gilmar Mendes, o Decreto-lei 972/69, que estabelece que o diploma seja necessário para o exercício da profissão de jornalista, não atende aos critérios da Constituição de 1988 para a regulamentação de profissões.

Os ministros do STF acolheram o recurso ajuizado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF) contra uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que tinha afirmado a necessidade do diploma.

Sobre a decisão, há prós e contras. O patronato e as entidades representativas da categoria - como sempre - estão em lados opostos, posto que a decisão atenda à tese da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e contraria a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Fiquei surpreso com a decisão, mas já esperava o desfecho. Afinal, há anos se luta pelo fim da exigência do diploma para jornalista, principalmente por ele ter sido criado sob a tutela de um regime militar ditatorial, vindo com o objetivo de se ter controle sobre a imprensa.

Ou não se é sabido que esta obrigatoriedade do diploma foi algo imposto pela ditadura militar para impedir profissionais que eram contra o regime a trabalharem?

Um AI-5 disfarçado para controlar a mídia e os profissionais que trabalhavam nela. Assim, poder-se-ia ameaçar um jornalista por meio da cassação do diploma. Ponto.

Creio eu que faculdade de jornalismo é importante, pois muita gente não sabe escrever e quer trabalhar na área. Só.

Nada contra a quem fez ou faz faculdade de jornalismo, porém, eu não trocaria meu juízo pelo diploma de muitos imbecís espalhados neste país.

Há trilhões de sites e blogs pessoais na internet que possuem muitas vezes mais credibilidade que sites de notícias – e qualquer outro meio de comunicação. A comunicação de idéias quer por meio de jornal, rádio, internet, TV ou revista é um direito do cidadão!

A obrigatoriedade é apenas uma reserva de mercado, um corporativismo. Não beneficia a sociedade, apenas um pequeno grupinho de pessoas.

Agora, se alguém que fez ou está fazendo faculdade só por causa do diploma e se diz enganado, injustiçado ou com vocação perdida - não aprendeu nada na faculdade e ficou prejudicado já que não é mais obrigatório, sugiro que faça denúncia na polícia por estelionato contra a sua faculdade. Isto é roubo e compra de diploma.

[Update]Dono de boa escrita, e apurado conhecimento, o jornalista formando, Marco D'Eca, teceu excelentes comentários a respeito de se ter ou não um diploma de jornalista para exercer a profissão.

Adorei o artigo, deixando um comentário.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Pessoas mozartianas

Mozart

Há duas semanas venho me embebedando de uma grande paixão: Mozart.

A música de Mozart sempre me cativou. Posso dizer que foi 'amor à primeira audição'.

Desde o princípio, fascinou-me a capacidade do compositor em transmitir qualidades tão impalpáveis como a elegância - sua música, filha legítima do classicismo do século XVIII, é francamente refinada - e emoções sempre bem-vindas como a alegria.

A alegria, em Mozart, é esfuziante e buliçosa; como uma criança traquinas a correr pelos cômodos de uma casa, porém vestida como um príncipe - combinação intrincada, esta, entusiasmo infantil & requinte - contudo, o compositor obtinha sucesso na mistura.

Há mais. À medida que eu, adolescente e depois jovem adulto, e depois um homem, ouvia e tornava a ouvir Mozart, ia descobrindo aos poucos as sutilezas mozartianas - o modo como o compositor do Concerto para Clarinete K 622 escondia, sob uma "forma" bem comportada, "canônica" no sentido clássico da palavra, as suas inovações e ousadias.

Muito me escapa, porque não sou especialista em música. Celebro, ainda, a ignorância de quem não sabe distinguir Haendel de Vivaldi ou Tchaikovski, nem de outro compositor cuja grafia do nome eu também vou errar. O que consigo captar, porém, deixa-me maravilhado. A propósito disto, me ocorreu uma nova qualificação para pessoas: mozartianas.

Não me refiro àqueles que amam sua música ou estudam-na. Fiquei pensando nas pessoas cuja beleza, seja física ou moral, não percebemos à primeira vista. Como composições de Mozart, temos de observá-las, ouvi-las, e mais de uma vez, e outra ainda.

Assim como a obra do gênio de Salzburgo só desvela aos poucos seus segredos, a beleza de certos indivíduos só pode ser percebida após um segundo, um terceiro olhar. Uma beleza sutil, humilde, preciosa; rara, ao contrário do "açúcar" excessivo encontrado em certas fisionomias.

A beleza moral, aquela que vem de virtudes pouco glamurosas - como a lealdade, a compassividade e a paciência - só pode ser compreendida, 'vista' devagar, na convivência do dia-a-dia, na passagem do tempo.

Uma beleza meio oculta, profunda, não exibicionista, discreta, como na literatura de um Henry James e na poesia de um Manuel Bandeira, por exemplo.

Tenho o privilégio de conhecer algumas pessoas mozartianas - algumas são meus amigos e amigas, pessoas cuja beleza interior só lentamente venho descobrindo e amando.

Este post é para elas. Meu muito obrigado!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O escrever com o coração

Coração

"Você escreve com o coração"; alguém me disse. Fiquei me perguntando: como saber se estou escrevendo com o coração? Como saber se estou escrevendo o que quero escrever ou aquilo que os outros me convenceram a escrever?

Às vezes, quando leio o que escrevi, assalta-me o medo de estar vendo cada imagem com os olhos do outro, e não com os meus.

O temor de falsear a verdade, a minha verdade. Estarei vendo com os meus olhos e escrevendo de acordo? Não sei.

Ou quem sabe é apenas uma velhíssima questão me atormentando: o de aceitar meus outros eus. Aceitar minhas facetas; as que conheço bem, as que conheço mais ou menos, as que conheço pouco, e aquelas que temo conhecer.

Meus lados feios; as facetas horrendas. Disformes.

Escrever com o coração.

Mais só com o coração? Creio que não. Com a mente também. Busca, pesquisa de estilo, aprimoramento. Ler pela emoção e também pela técnica. Adotar o que me agrada; adaptar ao meu modo de escrever.

Exprimir sempre o que sinto e o que penso - eis a mente de novo - numa forma diferente, onde cada imagem possa falar por si, sem soar como gasta e sem parecer artificial. Fluindo. Como as sensações interiores para as quais usamos quilos de papel e ainda não sabemos descrever.

Estas devem fluir sem interferência do certo, do correto, do bem-escrever - que mata ou distorce a sensação.

Coração. Mente. E memória. O passado e as impressões dele, o momento que se esvai, os momentos felizes - há tantos!

Proust sabia que era difícil recuperá-los. Quem leu Em Busca do Tempo Perdido sabe do que estou falando: a memória é vaga, porém faz seu esforço.

Resta à intuição, aquele "eu-sinto-que" tão especial. Peculiar. O eu-sinto-que que nos diz o que fazer. O que escrever. Frases vêm, e quando as leio não sei como explicá-las. Não pensei objetivamente nelas, não as visualizei. Saiu. Melhor: fluiu. Cenas.

Achados felizes me vêm quando estou deitado, ouvindo música e só tentando dormir. As minhas pérolas de insônia: as que perdi, as que aproveitei depois num post, num dos raros poemas. Tantas.

Escrever com o coração: meloso, mas sincero. Com a mente: interessante, mas frio. Com a intuição: ininteligível. Preciso da emoção para aprofundar a idéia, do pensamento para dar forma ao que sinto.

Impossível escrever bem - o que é diferente de bem-escrever - sem a ajuda dos três. Há quem tente. Já li alguns. Os primeiros me fizeram chorar, contudo meu intelecto os despreza; os segundos me prenderam ao livro, porém não me conquistaram, faltava sentimento; os terceiros - esses eu li, reli, treli sem entender.

Uma sensação de burrice. Dão complexo na gente.

Os escritores intuitivos, ainda assim, me parecem melhores que os anteriores: conseguiram a coragem de olhar para dentro de si mesmo; nem sempre tive esta coragem.

Nem sempre tenho. E reconheço que é difícil - arriscado mesmo - vestir o que flui por dentro, pôr em ordem a sensação - muitas vezes esta se perde, ou perde em força, em verdade. A idéia é límpida, mas a tradução é a morte, complicada, adulteradora, mutiladora.

Os namorados sabem do que estou falando, eles que querem exprimir sua emoção um ao outro e só encontram as palavras de sempre.

Todavia, escrevo. Não posso fugir - e nem tenho vontade - a isto. Com o coração, com a mente, com a intuição. Ou tento. Estes se ajudam, sim, mas brigam entre si. Não gostam de partilhar o poder.

Reescrevo e reescrevo quando vejo que um deles sobrepujou os outros, luto, apago posts, risco uma palavra. E continuo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Da amizade


Tema nobre; Aristóteles disse que era "uma única alma habitando dois corpos". Em belíssima obra que leva o nome deste post, Cícero questiona se existe “algo mais belo do que ter alguém com quem se possa falar de todas as coisas como se falasse consigo mesmo”. Voltaire definiu-a como "contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas".
Na mitologia, a história dos gêmeos Castor e Pólux é das mais bonitas. Lutando sempre juntos, numa das batalhas Castor é morto. Pólux, atormentado, pede a Zeus que devolva ao irmão e amigo a sua vida.
Seu pedido é parcialmente aceito: os dois passaram a dividir a imortalidade de Pólux - seis meses no Olimpo, e seis meses no Hades, porém nunca ao mesmo tempo - de forma que jamais tornaram a se encontrar...
Entre outras, está também a amizade de Orestes e Pílades - que se evidencia no episódio em que, tendo este ido a Táurida, um costume bárbaro impunha sacrificar à deusa Artemis qualquer estrangeiro que visitasse a terra. A sacerdotisa Ifigênia teria dito que aceitava a morte de apenas um. E os dois amigos debateram, um oferecendo a vida pelo outro...
Se estas duas histórias da mitologia deixam explícitas a afeição mútua e a capacidade de auto-sacrifício, a narrativa bíblica sobre Noemi e sua nora Rute delineia-se outra virtude indissociável da amizade: a lealdade.
Rute permaneceu ao lado de Noemi em um dos poucos episódios onde se revelam os verdadeiros amigos: Noemi, desanimada com a morte dos filhos, com a pobreza e com a fome na região onde havia morado por anos, retorna à Israel na companhia da nora viúva que se recusou a abandoná-la.
Na narrativa, a declaração feita por Rute à Noemi é antológica: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.”
Porém, apesar de encontrarmos as características positivas da amizade - como a afeição mútua, a capacidade de auto-sacrifício e a lealdade - também é possível perceber, com a passagem dos anos, àquelas desagradáveis - à que Simon classificou como abuso.
De forma interessante, em relação à sua longa parceria com Art Garfunkel, depois desfeita, o músico Paul Simon disse: "Num sentido profundo, eu não gosto dele. E penso que ele também não gosta muito de mim. Fomos parceiros por muitos anos. Numa amizade assim, a sensação de familiaridade corre paralela à sensação de abuso".
Amigos abusam uns dos outros?
Num mundo perfeito, composto de indivíduos perfeitos, não. Só que não vivemos num mundo perfeito.
O abuso - a presença de atitudes abusadas, aquelas que esperam em excesso da amizade, seja através do desrespeito de um amigo por outro, seja através da exigência de algo constrangedor de um pelo outro - o que pode incluir atos ilegais ou moralmente questionáveis - mais cedo ou mais tarde surge em qualquer relação de amizade; pois embora nobre, a amizade brota entre criaturas imperfeitas.
E assim como pode esfriar ou desfazer um longo relacionamento, o abuso pode impedir que a amizade nasça entre duas pessoas.
Numa entrevista, John Lennon disse não saber definir o que era um amigo. Porém, mencionou uma pré-condição para o surgimento da amizade: que o amigo não fosse alguém que pudesse necessitar de nada vindo dele. Que não pudesse explorá-lo, financeira ou socialmente.
Concordo!
E o que dizer da amizade entre homens e mulheres? A relação amitié amoureuse - amizade mesclada com amor - tornaria impossível a amizade entre estes?
Há quem prefira tratar da amizade entre homens e mulheres como uma etapa inicial da relação amorosa.
Para estes, um homem e uma mulher que demonstram um pelo outro as características já apontadas - afeto mútuo, capacidade de auto-sacrifício, lealdade - estariam no caminho certo para um relacionamento de amor amadurecido, ao contrário daqueles casais que parecem reunidos tão somente pela paixão.
É uma tese romântica, certo; mas também preconceituosa, já que, segundo esta, não seria então possível amizade autêntica, que permanecesse amizade, valiosa por si mesma, entre homens e mulheres.
Particularmente, não acho que a amizade seja uma das etapas para a consolidação de um amor. Acredito mais na paixão que se transforma depois em amizade eterna, isto é, caso exista vontade de ambas as partes - porque a grande maioria das paixões dura o tempo exato de uma vela.
Gosto de pensar que a amizade exista pura e simplesmente pela amizade. Ou seja, não é necessário igualdade, claro que por mais diferentes que sejam as pessoas haverá pontos em comum.
Creio que o negócio é todo um processo. As pessoas, se diferentes, vão se tornando mais e mais iguais; amizades muito grandes não permitem dissociar um do outro. Porém, tudo acaba nessa vida; e os dois acabam se separando.
Talvez pela igualdade, pois o que é igual não traz mais novidade, e sem novidade as relações param. Não há conflito, e, diz Krishnamurti, sem conflito, todo relacionamento morre.
O certo é, ainda que em conflito – sim, em conflito! – a amizade, na sua mais bela acepção, pode crescer e desenvolver-se.
Somente quando se esquece e/ou se negligencia este elemento crucial, expondo-se ao risco de misturar à amizade o egoísmo, o desejo de posse, a dissimulação e a impaciência - todos estes sim, definitivamente, inimigos mortais da verdadeira amizade - esta deixará de ser genuína.

sábado, 17 de janeiro de 2009

A cultura do imediatismo e a mediocridade

Relógio da vida

Em algum ponto do século XX começa a cultura do imediatismo. Nada de investimentos a longo prazo; nada de espera. Queremos isto e aquilo. E queremos agora!

Aliás, talvez não tenha começado aí. Talvez esta cultura esteve sempre presente como parte da nossa natureza caída.

Bom, o certo é que queremos tudo agora. Já!

Vivemos ansiosos; aos pedaços. Não desfrutamos do presente - ansiosos pelo que vai acontecer ou se lamentando pelo que deixou de acontecer.

Na cultura do imediatismo, esquecemos do presente; o imediato quer o que não tem. E quando isso chega, já não basta. Já está se preocupado com o novo.

Um paradoxo bem interessante disto tudo são as compras a prazo. Você compra a prazo para ter o produto naquele momento. Interessante, não?!

E é da cultura do imediatismo que nasce a promiscuidade. Afinal, quem quer investir meses, anos, num relacionamento?

Se não nos satisfaz, trocamos de produto. Simples.

Um parêntese: não endosso casamentos infelizes "para sempre". E não acredito que todo divórcio é errado. Acredito, sim, que é o mal menor em certas situações. Porém deveria ser o último remédio, não o primeiro.

Como cidadãos da cultura imediatista, somos encharcados por ela, envolvidos nela, habituados nela - em suas preferências, decisões, antipatias.

'Compromisso' não é palavra simpática. 'Investimento' só se refere a dinheiro. 'Estudos' tem relação com diplomas e status, não com adquirir conhecimento - posto que conhecimento despenderia tempo.

Onde nos leva isso? Àquilo que o imediatismo traz em seu bojo, o resultado natural da pressa: mediocridade.

Relacionamentos medíocres, arte medíocre, conversas medíocres. Fala-se de doenças, da vida alheia, de 'celebridades', do que se comprou, dos elevadores enguiçados, das filas, da vida alheia de novo.

As conversas com qualidade, os relacionamentos com qualidade - e não só funcionais ou confortáveis - a arte com qualidade, tornam-se artigos de luxo; raros.

Quando aspiramos ir além numa conversa, somos estranhos, esquisitos, malucos, incompreensíveis.

Quando aspiramos ir além num relacionamento, somos complicados, minuciosos, até mesmo chatos.

Quando aspiramos por criar e desfrutar arte superior, ir além do descartável, somos esnobes, excêntricos e ligeiramente desprezíveis.

E o que fazemos? Não nos encaixamos. Resistimos ao molde. E isto nos faz impopulares.

O que me parece trágico em tudo isso é que nem o notamos mais. Imediatistas, desembocamos na mediocridade, acabando insatisfeitos, porém sem o confessarmos.

Talvez, a cultura do imediatismo tenha relação com a tecnologia. Melhor explicando: com o excesso de tudo que temos hoje e que jamais conseguiremos consumir.

Milhões de livros, filmes, discos - muitas vezes gratuítos.

A urgência é apenas em decorrência do excesso. Temos que ler logo, pois há uma fila enorme de livros a nossa espera.

Isto deveria trazer uma paz e não uma guerra interna. Eu por exemplo não leio bons livros, só leio os ótimos. E dentre os ótimos, escolho os que vou mais com a cara.

Há também o fato de que a principal causa dessa eterna insatisfação seja falta de Deus - ou a transcendência desviada, como diria Girard, pois Ele é o permanente nesse turbilhão de coisas passageiras.

Algo está errado. Resta-nos não cedermos. Mas seria possível?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Leia poesia!

À minha esquerda, um grupo falava sobre o final da novela 'A Favorita'. À direita, duas pretensas amigas celebravam sua amizade criticando uma terceira que não estava presente.

Pouco atrás de mim, dois sujeitos conversavam sobre fotos de perfis alheios, vistas no Orkut.

Não muito distante, enquanto comprava frutas, uma mulher enumerava para outra uma lista de doenças que soava interminável, com direito a sintomas, nomes e preços dos remédios, o que dissera o médico e quando será a próxima consulta.

À frente, outro grupo discutia sobre A Bolha. Nesta, cheguei a me aproximar - imaginando se tratar do filme de Irvin Shortess Yeaworth Jr., A Bolha, um dos grandes clássicos cults de todos os tempos.

Nada. O assunto discutido era algo em torno do bbb9; Sim, bbb9. Esse lixo massificado e embalado para ser enfiado no seu … Olho.

Já sufocado, olhei para a lua e para as nuvens que já formavam chuva, e o desejo que tive - e o único que eu poderia - foi perguntar bem alto: 'Por que vocês não lêem poesia? Escutem, por que vocês não pegam um bom livro, um romance de preferência, e não se sentam em algum canto para ler?'

Hoje estou irritado!

Enoja-me que as pessoas se contentem com tão pouco, com um mundo tão estreitinho, tão miudinho, medíocre, vil, reles, ordinário. Que possam encontrar prazer ou objetivo em viver assim, dia após dia.

Então, leitores, digo a vocês: Procurem ler poesia. Procurem ler alguma coisa, por favor!

E, por favor, por favor, que não seja o jornal, com suas manchetes escândalosas, tendênciosas, malandras; onde política e economia e mesquinhez imperam, com ares de importância.

Apanhe um bom livro - certas bancas de jornal até vendem alguns - e ponha-se a ler algo de fato relevante, algo que continuará a ter valor dentro de 100, 200, 500 anos ou mais.

Uma (boa) banca de jornais pode vender Shakespeare (Hamlet, Romeu e Julieta), Pablo Neruda (Cem sonetos de amor), Esopo (Fábulas), Omar Khayyam (Rubaiyat), Daniel Defoe (Robinson Crusoe, Contos de Fantasmas), Edgar Allan Poe (Histórias Extraordinárias), Conan Doyle (O cão dos Baskervilles)... Nenhum dos quais é perda de tempo, ao contrário: ler significa expandir o tempo - porque expande nossa mente.

Ao invés de deter-se falando bobagem, de desperdiçar tempo lendo bobagem, faça a si mesmo esse favor: Leia poesia! Povoe-se de versos, leia em voz alta (no banheiro mesmo, se faltar opção. Não tem problema! )

Gotas de Drummond, goles de Álvares de Azevedo, alguns litros de Bandeira, quem sabe quanto de Fernando Pessoa. Embebeda-te, leitor!

Sinta os versos rolarem, passarem por sua boca - deslizando e escorrendo pelos lábios.

O amor, quando se revela,/ Não se sabe revelar/ Sabe bem olhar p'ra ela/ Mas não lhe sabe falar...

Ou ainda: Uns tomam éter, outros cocaína./ Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria...

E também: Gastei uma hora pensando num verso/ que a pena não quer escrever. / No entanto, ele está cá dentro, inquieto e vivo...

Quem se inunda de tudo isso não poderá e não agüentará ser medíocre, limitado, banal. Quem se alimenta disso, amplia o mundo dentro de si, mundo que passa a carregar consigo. O mundo dentro de nós é que é real, porque é ele, em última análise, que nos dá o poder de enfrentar o mundo fora de nós com esperança, com amor, e com coragem.

O mundo dentro de nós é dádiva divina, Graça comum aos que crêem e aos incrédulos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pela Contra-Reforma: não ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

No dia 29 de setembro de 2008, durante sessão solene em comemoração ao centenário do falecimento de Machado de Assis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assassinou o povo letrado de seu país, determinando, em Decreto, a implementação do famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

A nova ortografia entrou em vigor no Brasil no dia 1º de janeiro, deste, mas a ortografia atual continuará válida até o dia 31 de dezembro de 2012.

Como única defesa, o sentimento de unidade é o grande motivador dessa Reforma. Agora, o registro escrito do Brasil vai igualar-se com a dos outros sete países: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Portugal; cujo idioma oficial é o português.

Todavia, essa tentativa de uniformização da Língua Portuguesa vai de encontro à marcha evolutiva natural que toda língua manifesta. Pois, o Português brasileiro vem a ser bem diferente do de Moçambique, que por sua vez o é do de São Tomé e Príncipe, e entre os restantes países lusófonos com relação um ao outro.

A meu ver, é uma lástima vergonhosa simplesmente defenestrarmos séculos de evolução de nossa língua pátria juntamente com a nossa identidade nacional.

Fora que - muito diferente do que grande parte já defende - a mudança ortográfica não facilitará a vida de alguém que não sabe escrever. Ignorância se cura com aprendizado.

Está claro que a queda do trema nos hiatos átonos, a extinção do acento em ditongos, ou se a palavra que tinha hífen deixa de tê-lo não facilitará substancialmente o aprendizado da língua. O que faz uma língua ser "culta e bela" não é a mudança de regras em si, é sim o quanto se fala e escreve brilhantemente com ela.

O Saramago pediu que, a essa altura da vida, não o importunassem com novas regras. Não sou tão velho quanto ele e nem tão talentoso, mas digo a mesma coisa.

Antes eu propunha a Campanha Nacional da Boçalização. Proponho agora a Contra-Reforma: que todos não mudem a escrita, que todos continuem a escrever sem mudanças.

Vale lembrar, também, que, independentemente de saber se a nova ortografia é linguisticamente melhor, ou se há vantagens políticas numa ortografia unificada com o Brasil e os outros países lusófonos, a questão fundamental não parece ter sido discutida.

Na verdade, a grande discussão seria: até que ponto faz sentido legislar sobre a língua?

Há três questões quanto ao Acordo Ortográfico que importa distinguir:

O primeiro é que um acordo ortográfico feito num país é inteiramente distinto de um acordo ortográfico que visa unificar as ortografias de diferentes países. Posto isto, há três razões contra a pretensa unificação ortográfica da língua portuguesa:

Primeiro: não há harmonia ortográfica nos países de língua inglesa, francesa ou espanhola;

Segundo: o acordo não unifica as ortografias, pois os portugueses continuariam a escrever "facto" e "género", e os brasileiros "fato" e "gênero";

Terceiro: mesmo que unificasse a ortografia, o acordo não unificaria o léxico, a sintaxe ou a semântica. No Brasil os autocarros chamam-se "ônibus" e os comboios "trens", e muitas mais variações semânticas existirão, e ainda bem, no português cabo-verdiano, angolano etc.

Em conclusão, o acordo pretende-se unificador, mas nada unifica.

A segunda questão é a mais importante: legislar sobre a ortografia é uma mania centralista inaceitável. A ortografia deve ser abertamente coordenada por todos os que a usam, como acontece com o léxico, a fonética, a gramática, a sintaxe e a semântica, e não por algumas pessoas que se outorgam o direito legislar sobre ela.

Onde não é preciso legislação deve-se fazer silêncio legislativo. Os angolanos sabem decidir como querem escrever as suas palavras, que são também nossas, assim como os brasileiros ou os portugueses, sem qualquer necessidade de legislação.

A terceira questão é saber se valeria a pena uma reforma ortográfica na Língua Portuguesa, independentemente de ser unificadora ou não. Esta questão depende da segunda. Há a tendência antidemocrática para pensar que reformar a ortografia equivale a legislar sobre a ortografia. Isto é falso. Introduziram-se muitas palavras recentemente no léxico português sem qualquer necessidade de legislação, como "lóbi", "dossiê" ou "robô".

Se a ortografia precisar de reforma, esta surgirá naturalmente nos dicionários, livros, gramáticas e jornais. Se não precisamos da força da Lei para passar a escrever "dossiê" em vez de dossier, também não precisamos dela para passar a escrever "voo" em vez de "vôo".

Felizmente, não é hoje possível mudar artificialmente a ortografia. Esse gênero de idiotice era possível quando só dez por cento da população sabia ler, e ainda menos escrevia regularmente, quando havia apenas cinco jornais, cuidadosamente vigiados pelo Estado, quando não havia internet e quando se publicava por ano o mesmo número de livros que se publica hoje num mês.

O acordo foi ratificado pelo Brasil, mas ninguém o usa nem vai usar. Tal como a última reforma ortográfica alemã caiu em saco roto, também qualquer reforma ortográfica portuguesa será pura e simplesmente ignorada pela maior parte das pessoas que publicam livros, artigos, romances, contos, poemas e idéias na internet, nos jornais, nos livros acadêmicos, escolares ou populares.

E por falar em internet, acuso que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ainda não avisou à Microsoft sobre o Acordo Ortográfico. Tentei desautomatizar a colocação dos acentos e do trema, mas o corretor ortográfico do Word ainda não foi atualizado.

E isso faz com que meu primeiro texto do ano seja escrito de forma incorreta, tal qual escreve o presidente citado acima, que assinou o tal decreto.

Quer dizer; caso esse analfabeto saiba escrever algo, claro.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Pela globalização: a morte do Natal e o capitalismo selvagem

Apesar de ser um titulo assaz revoltado e extremista, não poderia deixar de falar a realidade: o Natal está morto, e o selvagem capitalismo pulsa na veia humana.

O homem matou o Natal quando deu vez a essa decadência desenfreada, rumo à capitalização e marketização desse dia, 25 de dezembro.

O que acontece é que existe um sistema, mais velho, que anda para trás. Já chegaram a chamar isso de “Lei do Mais Forte”, Progresso, Industrialização, Capitalismo; hoje em dia é moda chamar de Globalização.

Não existe mais o Natal. A ordem agora é participar/comemorar o estabelecimento de uma mega-cultura homogênea mundial, em que todos falam a mesma língua, ouvem as mesmas músicas, os mesmos filmes, as mesmas comidas.

É fato que ainda se tem uma ou outra mensagem de Natal, desejando felicidades e coisas boas para o novo ano. Porém tudo isso é tão... Descartável.

Sim. Admito que possa ser uma visão um pouco negra, mas não consigo evitá-la. Posto que fato também seja que, cada vez mais, o real significado do Natal esteja desaparecendo.

E falo desaparecendo como que para tentar esconder a morte natalina já esquecida, pois as lojas ainda estão abertas, e se você parar para refletir sobre isso, não chegará a tempo de fazer as compras, não é mesmo?

Que absurdo é esse, Yuri? De onde tirou essa que o Natal está morto, perguntarão alguns.

Simples. A morte do Natal começou quando primeiro mataram as crianças inocentes e fantasiosas. Hoje em dia, é raro encontrar uma criança de sete anos que já não tenha a malícia suficiente para saber que Papai Noel não existe, e que o Rudolph e os gnomos ajudantes são só uma continuação dessa mentira.

Já não conto mais nos dedos as várias vezes em que presenciei pais ensinando aos filhos que Papai Noel veio do Pólo Norte e tem um trenó; ignorando a verdadeira celebração do dia: o nascimento do menino Jesus.

Com o avançar da idade, os pequenos enganados descobrem que Papai Noel não existe - talvez contado por algum primo ou coleguinha – e, com isso, não fica nenhuma imagem de Cristo.

Ou você recebeu algum cartão que, no meio de tanto desejo de felicidades, fale do nome Dele?

Poucos ainda se lembram do nascimento do redentor.

Neste país, e em alguns lugares do mundo, a moral é esta: Natal, dia de presentes e da ceia. E isso me faz lembrar que nem a ceia o povo sabe o significado. Lastimável!

Para corroborar com o problema, e justificar a verdade deste post, as lojas, mercados e indústrias se aproveitam da data para vender, vender e vender. Vendem árvores, penduricalhos, comida para a ceia e, principalmente, os presentes.

É isso mesmo, leitor! Como esquecer os presentes? Afinal, na cabeça das pessoas, o que seria o Natal sem presentes?

E é em maior razão disto, que, aqui, hoje, 24 de dezembro, faço minha crítica a esse pensamento capitalista, e ao homem, pela morte do Natal.

Relembro que, celebrar o Natal não se resume a presentes ou fartas ceias. Peço que, por favor, você repense sobre o significado autêntico do Natal.

E, se, ainda assim, insistir a lembrança dos tais presentes, ao menos compreenda que o dia que se avizinha deve nos remeter a recordar, na fé e na reflexão, de que, nessa data, em seu infinito amor, Deus nos deu o maior de todos os presentes: o seu filho, Jesus Cristo.

No mais, um bom Natal pra você! - ou pelo menos o que dele restar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Da Arte do conhecimento: nossa medíocre e deficiente formação intelectual acadêmica

Em Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley nos mostra uma sociedade totalitária, onde o ser humano é condicionado conforme o bel-prazer de uma casta que domina politicamente os demais.

Na obra, podemos ver um farto material sobre a formação intelectual de um povo, com uma visão literária; tornando-se fonte excelente para o problema que aqui exponho.

Mas antes, urge destacar porventura que a verdadeira razão deste texto se centra no pormenor de que já perdi a conta a todas as bestas a quem fui obrigado a tratar com respeito - por educação, quando estes brutos indivíduos sentiam-se mal por estarem na presença de pessoas com conhecimento, e que podem desmascarar a sua ignorância.

Sim, Yuri, mas e o tal problema? Simples. A indústria de graduados do país está, desde sua origem, longe de cumprir o papel de estimular o conhecimento. A imagem de atraso é tanta que, ineficiente, o tolo terceiro grau deveria ser hoje apenas motivo de piadas.

Um exemplo claro deste Ad Hominem é o fato de que essa casta formação intelectual acadêmica é a mesma que tolera um analfabeto na presidência da república (analfabeto por se orgulhar em ser iletrado), mas repudia quem não tem o curso superior.

Patéticos e inúteis, a grande maioria de nossa classe graduada considera ser o "verdadeiro conhecimento", aquele onde o indivíduo é obrigado a cursar um determinado número de cadeiras e uma determinada grade curricular.

Um pensamento válido, porém inócuo, posto que não se tenha controle sobre o que aprendemos, já que a educação é algo pessoal, estimulada não só pelos fatores externos, mas filtrada pelas aptidões.

Aqui, existe um culto imbecil ao canudo, que estigmatizaria um Euclides da Cunha por ser autodidata e o consideraria inferior por não ter um diploma superior.

Na mesma linha, seria impossível um Amador Aguiar surgir hoje em dia e criar um Bradesco. Primeiro porque ele sequer conseguiria uma vaga como contínuo por ter somente o primário completo.

Não sou contra, aviso logo, a instituição do diploma; sou contra, sim, sua veneração, contra a “graduotice”, enfim - contra essa indústria de "universotários".

Não proponho que dispensem o canudo para imporem-se como intelectuais da expressão de Luís Fernando Veríssimo, Millôr Fernandes, Paulo Francis; criados neste país em que se formar em direito ou medicina é mais uma praxe, um clichê.

A verdade é que, ou o país acorda dessa cultura de imbecil-coletivo ou continuará Ad Infinitum, sendo esta pátria de dementes, onde se é mais culto quem lê Seleções.

sábado, 1 de novembro de 2008

A construção da linguagem: o poder e os limites da fala

Já conhecimento de todos; a linguagem nunca foi a minha praia. Mas, ultimamente, tenho analisado bastante o poder e os limites da fala. Aonde ela chega e até onde ela pode ir. E, muito mais que isso, a sua capacidade de construção em meio a um mundo pós-moderno tomado por valores volúveis e efêmeros.

É certo que as relações interpessoais, quando consumadas de forma física (partindo de um pressuposto sensorial), também, falam muito. Mas tenho percebido que essa forma de expressão nem sempre diz tudo, e, é exatamente esse dito, que pode vir a se tornar uma poderosa ferramenta de construção de valores em nosso contexto sócio-cultural.

Pensando assim me permiti refletir mais sobre a máxima do "papa" da filosofia da linguagem, Wittgeinstein: "Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo". Até onde refutar ou concordar com a afirmação do pensador?

Em suas Investigações Filosóficas, Wittgeinstein diz que o sujeito tem a capacidade de batizar o seu objeto de acordo com a sensação privada que ele tem do mesmo. Exemplo?! Se digo "eu te amo" à alguém, este meu objeto pode estar recebendo uma informação arbitrária.

Nem mesmo o sujeito pode ter a certeza do que se está falando. Quem disse que o que falo não pode ser nomeado, sei lá, de "quero transar com você"? O sujeito então não teria justificativas ou critérios para legitimar a sua fala, e esta correria um grande risco de não ser verdadeira. Ou não!!!

O melhor vem agora, quando o pensamento é visto às avessas: a forma de amar dita pelo sujeito pode ter uma interpretação única dele, exatamente porque é privada. E ele tem a total liberdade de dizer - ou batizar- o que sente, e da forma dele, ao seu objeto.

Já o objetvo, por sua vez, terá o total entendimento da fala (do mesmo sujeito), porque compreendeu exatamente o que acabou de ser dito. Construiu-se, enfim, uma linguagem (e uma linguagem própria). Interessante, não é?!

Pensando em meu exemplo, acho que é por isso que as pessoas, hoje, tem tanto medo de dizer o que sentem. Temem a significação dessa fala no receptor. (Há quem fale até no peso da responsabilidade daquilo que se diz.).

Pura bobagem!

Se as pessoas bem soubessem o quanto é edificante dizer, da forma mais transparente, o que se tem na mente. Independente da nomenclatura dada a esse sentimento ou objeto (e é exatamente isso o que menos importa), apenas dizer, simplesmente... sem regras, sem medos, sem melindres...

Então, pra quê mesmo se preocupar com isso? Por que achar que é possível ou impossível dar nomes ao que se pensa ao falar de uma sensação privada, se ela já encontra, pois, o seu espaço na linguagem? E vou mais além... Prá quê buscar palavras na razão? Prá quê?

Afinal, por que mesmo estou falando isso tudo?

Pronto, desconstruí!

sábado, 15 de março de 2008

O tendencioso e indefensável sistema de cotas

Estudantes em protesto contra o sistema de cotas

Representando a pior forma de racismo existente no Brasil, que é a condescendência, a Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares) formou sua primeira turma na noite desta quinta-feira, 13, com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva, o senador José Sarney (PMDB), o ministro Edson Santos (Igualdade Racial) e outros políticos e autoridades.

A Unipalmares, que oferece cursos de Direito e de Administração preferencialmente para alunos negros, é a primeira e única instituição de ensino superior de toda a América Latina que tem 87% de seus alunos afrodescendentes autodeclarados.

A Unipalmares é de iniciativa privada, logo tem o pleno direito de implementar cotas de maneira que bem quiser, apesar de eu achar isso totalmente contraproducente. Mas não estou aqui para falar sobre a Unipalmares, estou aqui para falar sobre a aberração que é o sistema de cotas.

Muito diferente dum certo larápio intelectual, sou contra cotas para negros. A meu ver, esta nivela o negro por baixo. Esse lenga-lenga para existência da cota é um discurso racista, que cheira a pura demagogia.

Vamos aos fatos: se o estudante entrar na universidade sem o auxílio de qualquer maracutaia bolsista, ele é branco; se não conseguir passar no vestibular, vira negro e excluído; então entra o sistema de cotas e dá um empurrãozinho ridículo na tal classe desfavorecida, como se esta não tivesse condição de conquistar seu espaço por esforço próprio.

O Brasil precisa de ensino de qualidade e oportunidades para todos, e não de privilégios baseados na cor da pele. Não compactuo com essa indigência sócio-intelectual, firmada em raciocínios obtusos e toscos.

O Brasil não é racista; ele é concentrador de renda, desde o período escravocrata. Esse país é injusto com os pobres, isso sim. E esse fato independe de cor. Nossa democracia racial se dá em termos de injustiça com os pobres. Aqui, na pobreza, todas as raças se igualam.

Claro que isso não significa que não haja atitudes isoladas de racismo. É fato.

Mas isso não justifica esse atentado de violência contra a educação. O único resultado seguro desse processo será a degradação do nível de qualidade do ensino superior - que, vamos combinar, já não anda mais lá essas coisas.

Se a educação básica pública fosse de boa qualidade, eu seria o primeiro a defender o sistema de cotas. Mas, por outro lado, se a educação pública fosse de boa qualidade, o sistema de cotas não seria necessário, porque os alunos sairiam dele plenamente qualificados para disputar vagas nas melhores universidades.

Mas, diferente de mim, que sou negro, mas tenho vergonha, um bando de incompetentes não entende que dar uma de coitadinho é a pior forma de preconceito. Com o sistema de cotas, fica implícito que negro é inferior e só consegue o mesmo que o outro com ajuda, coitado. Compaixão se tem com animais irracionais, e não com gente, com pessoas. Vergonha maior que dar cotas e esmolas é aceitá-las!

Num rasgo de orgulho, os militantes do movimento negro vêem o sistema de cotas como a devolução de um direito que lhe fora tirado; algo como um uma indenização. E é com esse tipo de mentalidade abrutalhada que a pátria dos dementes vai vivendo.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Poesia tem dia?!

Momentos de Poesia

Aqui, no Brasil, hoje, 14 de março, é celebrado o Dia Nacional da Poesia. A data fora escolhida por coincidir com a comemoração do nascimento de nosso grande poeta baiano Castro Alves. Poeta romântico, e não à toa, conhecido como poeta dos escravos, Castro Alves foi autor de explosões de poesia, como “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”.

Claro que compactuo da comemoração do nascimento de um dos maiores vultos de nossa poesia romântica, que é o Castro Alves. Porém, não estou de acordo com essa data. Todo dia é dia de poesia. Ela está presente a cada instante. Tudo respira poesia, tudo é inspiração.

Posto isso, deixo pra vocês a belíssima consideração à respeito da data, na escrita de Vânia Moreira Lima:

Dia da Poesia: Todos os dias

Dia 14 foi intitulado "Dia da poesia" e julgamos sempre que por se tratar de uma categoria literária, nos referimos apenas ao poeta, o que naturalmente não é verdade. O dia da Poesia é a data que se comemora a poesia em todos os níveis. Aquela que sai da pena dos grandes ou desconhecidos, reflete a beleza do mar, o canto dos pássaros, os espaços luminosos ou a escuridão lírica, onde os namorados fazem suas juras de amor, nas noites enluaradas em que se canta a paixão e até nos momentos lúgubres em que a alma se obscurece e subjetivamente pede socorro e anseia por ternura.

O dia da Poesia retrata a criatura, com sensações, sorrisos, meiguice, o olhar em contemplação ou o sentimento abstratamente real de quem ama. Por isso é uma data especial, em que não há exclusividade nem influência do sucesso ou fama, mas que penetra na alma universal do mais desconhecido ser humano.

Nele a natureza transcende qualquer idéia descritiva para se alojar na beleza, encantamento, fascínio que domina o universo, em suas potencialidades intrínsecas, no infinito de suas revelações e não se refere à criatura somente, mas ao planeta no sentido mais abrangente.

O dia da poesia se manifesta na criança que nasce sofrendo o oxigênio que o inunda, na simplicidade de alguém emanando eflúvios de bondade espontânea, nas crianças à procura do alimento, nos pais chorando a tristeza de não poderem resguardá-lo, na simplicidade dos gestos, ternura dos olhares, reflexos do sol aquecendo o dia ainda frio, na solicitude dos que estendem a mão universalmente e no beijo, máxima expressão de afeto e de carinho.

Nele a bondade é seu maior atributo, generosidade que chega de mansinho sem que faça ruído, solidariedade que se manifesta no aconchego amigo, vaidade que é capaz de apartar seus próprios interesses e olvidar a presença do ego exigente para se doar em transe na presença do ser humano mais próximo.

A esperança se faz realidade, o dia explode em claridade ofuscante, o horizonte chamuscado de cores e projetados pela sombra amarelada espera passos cada vez mais céleres na busca do sonhos ali abrigados e a estrada amacia os pés que a percorrem, saltitantes e ansiosos.

O dia da Poesia é único e encontra os liames da razão que ordena o minuto de paz, contorna a realidade e absorve o lirismo para que seja divulgado em letras de harmonia a todos que desejam dele se aproximar.

Nele a terra gira impondo química e sentimento enquanto o poeta compõe o que a inspiração sugere radiante em cada momento de suspense ou nos instantes que não se repetirão com a mesma força e realidade. Nele a poesia lidera onipotente e somos instrumentos, expectadores apreciando a força do mundo que naquele momento só poesia infunde.

O dia da Poesia é á conscientização da formosura, vida e alegria, das flores multicores e dos movimentos inconscientes da natureza, dos embalos inesperados, do amor surgindo, da amizade reiterando e das sensações que transmitem a sua origem.

Mas verdadeiramente não há dia específico para a poesia, porque ela existe independente de tempo e hora ou data, constantemente em todas as situações. Dias de poesia são consecutivos, plenos, absorventes e inspiram ao poeta a hora certa de transmiti-los.

Na verdade todos os dias nos levam à poesia de uma maneira ou de outra, por intermédio da natureza, do amor, da generosidade ou do carinho, do olhar de uma criança, do perdão, da compreensão, da saudade e da união de todos os seres humanos.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

A imbecilização da Língua

Tempos atrás, cometi o despautério de ler a coluna semanal Internauta, do Jornal Pequeno. Em um lingüajar escrito sobre pedregulhos, a colunista, Cristiana Frazão, acaricia e incentiva o uso do Internetês. Aleijando a língua portuguesa, a colunista escreve seus artigos numa espécie de besteirol que nada tem a ver com a gramática, ortografia, e às vezes subverte a própria semântica. Defendendo a idéia de que nunca se escreveu tanto nos últimos anos, ela considera positivo o uso desse tipo de linguagem.

Para mim, o uso dessa linguagem é um desserviço para o ensino da língua padrão. O ensino da ortografia é feito principalmente por memória visual. Quanto mais você se acostumar a ler fora da escrita padrão, mais dificuldade você terá de lembrar a forma correta das palavras.

Há os que, como ela, comparam essa baboseira com a gíria. A gíria é um produto da expressão popular, o Internetês não é nada. Esse tipo de linguagem é destinado às conversas totalmente superficiais e sem o mínimo de profundidade. Eu, pessoalmente, execro esse tipo de linguagem. Vejo-a como um descaso com as normas gramaticais da Língua Portuguesa. Nela, tudo vale, vale as perdas das preposições, o não uso de pontuação e acentuação, a abolição do plural, o desleixo, a confusão dos tempos verbais, a preguiça, os modismos.

Em Lingüística, aprendemos noções de variedade lingüística. E também de adequação. Sei que é preconceito lingüístico classificar os socioletos em certo e errado, de acordo com a norma padrão da língua, mas aceitar essa atrocidade é insensato.

Não sou nenhum paladino da justeza exagerada da Língua. Porém, não posso aceitar essa deformação que vem extinguindo A Última Flor do Lácio. Quanto maior for a desinstrução, a incultura, o desdém pela leitura e pela escrita, mais escassos serão a compreensão e a interiorização da norma culta. O que nos levará (nós quem, cara pálida?), mais uma vez, aquilo que intitulei de Pátria dos Dementes. Um povo fracamente instruído quão possível. Onde se prevalece a inépcia, a fealdade e a incapacidade.

Uma dica:

Aos amantes do “naum”, conheçam a obra do teatrólogo Naum Alves de Souza. Talvez seja um começo!

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

O Alto custo da erudição

Procurei por muito tempo uma analogia interessante para escrever esse texto, mas não me ocorria nenhuma, por isso tardei tanto à escrevê-lo. Tudo começou a partir de um questionamento que me fiz: Ser culto tem alguma importância

Não! Cultura não tráz benefício nenhum... Estarei errado? Penso que não e vou tentar explicar porquê. Ser culto tira teu potencial de integração e afasta as pessoas, que não conseguem entender aqueles comentários espirituosamentes cultos que você volta e meia emite com a impressão de que está arrasando.

Ser culto só te torna mais distante do mundo. Devemos ver a cultura como algo estaparfúdio e anacrônico. Eu, por exemplo, nunca ganhei nada com toda a cultura que angariei nos últimos anos. Percebo, até, que preciso me "boçalizar" um pouco. Proponho aqui a CAMPANHA NACIONAL DA BOÇALIZAÇÃO.

Meu objetivo com esse post de hoje é trazer um apanágio completo dos efeitos nefastos que a cultura exerce na vida de uma pessoa. A intenção desde texto não é pedagógica, educacional. Pois, como eu disse: Cultura não tráz benefício nenhum.

Leitura??? devemos ler apenas o suficiente. Algo como livrinhos para vestibular, revistas de mulher pelada e, é claro, as que falam sobre novelas. Ser culto só te atrapalha, essa chatice te faz abrir a cabeça, te faz pensar, te faz ficar mais humano, te faz aprender a comparar opniões e, ninguém aqui quer perder tempo comentando esse post.

Se o lê, é por amizade.

Pra que trocar a gostosa alienação pela cultura? Deus nos livre!!! Ficaremos sabendo dos fatos e nos preocuparemos com a situação atual que nosso país vive. Já não basta termos que nos preocupar com os acontecimentos do mundo das celebridades, ainda temos que nos preocupar com a crise política que o pais vive. Fala sério, não vale a pena esse esforço.

Negócio de política o que, esses políticos não passam de uns filhos-daquela-senhora-que-todos-conhecem; só sabem roubar. Pra que se preocupar em ter cultura se o Brasil não tem mais jeito??? Ainda mais agora, que vai ter um tal de reverendo... não, reterendo... digo, refe... refe... ah, sei lá! Um negócio que vi outro dia na novela sobre termos arma em casa.

Temos mais o que fazer, imagine perdermos o Faustão ou o Gugu. Nós, em pleno domingo, nos preocupando em votar em algo. Ah se eu pego quem começou com essa idéia de termos direito ao voto.

Cultura para que, minha gente?!? Ter cultura só nos prejudica, pois, no caminho rumo a erudição terminaremos por nos tornar um espécime incomunicáveis com os demais, teremos que criar nosso próprio idioma, pois não haverá mais um assunto em que consigamos nos inserir, não haverá mais uma reunião social onde possamos nos sentir entendidos, nem consigamos entender.

É, o texto já está ficando grande demais e ler é tão chato que vou terminar lembrando à todos que ter cultura é irrelevante, que devemos todos permanecer habitando o universo das futilidades trivias e superficais, onde o amor se resume em uma cerveja gelada e uma boa trepada. Tem algo melhor que isso??