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sexta-feira, 10 de junho de 2011

O falso cristianismo do ‘Sem João com Cristo’


Polemizar não é a missão do Cristão, mas sim a de viver e anunciar a Jesus Cristo. E é sabendo que fui chamado para a defesa e confirmação do Evangelho que resolvi escrever sobre este assunto.

Depois do ‘Carnaval Gospel’, o evento mais esperado do calendário brasileiro ‘cristão’ é a festa junina, conhecido nalgumas igrejas como o ‘Sem João com Cristo’ ou outros disfarçados nomes.

Quanto a esta questão, é oportuno mencionar o comportamento de certas ‘igrejas evangélicas’ que, com a alegação de estarem propagando o evangelho, dedicam-se a um tipo duvidoso de evangelização.

Para muitos cristãos, pode parecer que a participação nestas festividades juninas não tenha mal algum, e que a Bíblia não se posiciona a respeito.

O apóstolo Paulo, no entanto, declara em I Coríntios 10.11 que as coisas que nos foram escritas no passado, nos foram escritas para advertência nossa: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”.

É fato que, ainda que algumas ‘igrejas’ tenham modificado o nome do evento, todas as bases das festas juninas estão fincadas nas práticas das festividades mundanas, com apenas o detalhe de transvestir tais festas com roupagem cristã.

Tentar diluir os efeitos utilizando outros nomes e alterando alguns aspectos, característicos desta festa, é uma tentativa inútil de escapar da invenção da turba pecaminosa que inventou este festejo junino.

Quando Deus introduziu o povo de Israel na terra prometida, adverti-os severamente para que não usassem esse tipo de costume, que hoje a ‘igreja cristã’ vem praticando; diz Ele: “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos [Deuteronômio 18:9].”

Alguns - na tentativa de justificarem este ENTRETENIMENTO que nada tem a ver com o louvor, oração e adoração - acreditam que podem citar o texto de Filipenses 1.18, porém o que Paulo diz neste versículo é que pessoas pregando com motivos errados - não teologia errada - podem, todavia, promover o Evangelho, e por isso ele se regozija.

Em momento algum o apóstolo pouco se importou com o modo como o Evangelho é anunciado.

Outra, apesar de o cristão ser livre, posto que tudo lhe seja permitido [I Coríntios 6:12], este não deve usar de sua liberdade para ferir a consciência dos “fracos”, pois pecar contra a consciência dos irmãos é pecar contra Cristo [I Co 8:9-13].

Ou alguém vai me dizer que alguns irmãos que não alcançaram o mesmo nível de piedade que foge a outros não ficam chocados com essa entrada do mundo na igreja, quando algum ‘radical gospel’ diz que o Carnaval e o São João são pecados, mas somente os ‘do mundo’, pois ‘os da igreja’ são santos, totalmente diferentes...

Gente, a coisa está ficando séria. Um povo que vive longe de Deus, desconhecendo a sua Perfeita Vontade, acreditando que pecar é somente roubar, matar e se prostituir, está desprovido de discernimento para separar a verdade da mentira.

Muitos estão confundindo o belo e o feio, o certo e o errado, a cultura e o pecado; e nisto tropeçam, levando-os a praticar atos que ferem a santidade do Deus Eterno.

Aos que ainda podem ser renovados para o arrependimento, peço que vigiem e orem, jejuem e meditem na Palavra, não permitindo que interponham nada entre vocês e Cristo.

Deus nos deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai rir-se juntamente conosco [Gênesis 21:6]. Não precisamos dessa falsa alegria mundana, pessoal.

Ao invés de estarmos divertido as pessoas, deveríamos é estar em oração, jejum e missões. Milhares de milhões estão morrendo e indo para o inferno enquanto ‘igrejas’ estão pulando quadrilha.

Nossa alegria está em sermos transformados para produzir frutos dignos de arrependimento. NÃO FOMOS CRIADOS e nem CHAMADOS para nos divertimos. Tire esta ideia tola de sua cabeça.

Reflita: Se Deus rejeitou as festas de Israel que eram dedicadas somente a Ele [Amós 5:21-23] , mas que haviam sido mescladas com elementos dos cultos pagãos dos países vizinhos, não rejeitaria, com mais veemência ainda, essa dita festa ‘cristã’, que nada tem dEle?

Fomos chamados para levantar a bandeira de Cristo. Nosso coração recebeu um ritmo apenas para Ele; recebemos fôlego apenas para Ele. Tudo o que fizermos deve ser feito para a glória dEle, no contexto de Sua alegria, e na comunhão de Sua pessoa.

E não venham me dizer que esse entretenimento diabólico é uma estratégia de Deus, “pois tem dado certo”. Tudo isso é blasfêmia.

Nós não devemos fazer algo porque dá certo; seitas já fazem isto. Devemos fazer algo por ser bíblico.

Por fim, ‘rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados’ [Efésios 4:1], ‘pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional’ [Romanos 12:1].

Não te conforma com este mundo, igreja. Desperta, levanta-te e anda.

sábado, 14 de maio de 2011

O Verdadeiro Amor Cristão

Arthur W. Pink

O amor é a Rainha das graças cristãs. É uma santa disposição nos dada quando nascemos de novo de Deus. É o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. O verdadeiro amor espiritual é caracterizado pela mansidão e ternura, todavia, é vastamente superior às cortesias e bondades da carne.

Devemos ser cuidados para não confundir sentimentalismo humano, alegria carnal, amabilidade e afabilidade humana com o verdadeiro amor espiritual. O amor que Deus ordena, primeiramente para com Ele e então para com os outros, não é o amor humano. Não é um amor indulgente e egoísta, o qual já está em nós por natureza.

Se indulgentemente permitirmos que nossas crianças cresçam com pouca ou nenhuma disciplina, Provérbios claramente diz que não as amaremos, a despeito da sentimentalidade humana e da afeição que podemos sentir por elas.

O amor não é um paparicar sentimental de um para com o outro, com uma indiferença para com o nosso andar e obediência diante do Senhor. Encobrir as faltas dos outros para nos agradar na estima deles, não é amor espiritual.

A verdadeira natureza do amor cristão é um princípio justo que busca o mais alto bem dos outros. É um desejo poderoso de promover o bem-estar deles. O exercício do amor deve estar em estrita conformidade com a vontade revelada de Deus. Nós devemos amar na Verdade.

O amor entre os irmãos é bem maior do que uma sociedade agradável onde as visões são as mesmas. É amá-los porque nós vemos a Cristo neles, amando-os por causa de Cristo.

O próprio Senhor Jesus é o nosso exemplo. Ele não foi somente atencioso, gentil, auto-sacrificante e paciente, mas Ele também corrigiu Sua mãe, usou um chicote no Templo, censurou severamente as dúvidas dos discípulos e denunciou os hipócritas.

O verdadeiro amor espiritual é, acima de tudo, fiel a Deus e inflexível para com tudo o que é mal. Nós não podemos declarar, 'Paz e Segurança', quando na realidade, há decadência e ruína espiritual.

O verdadeiro amor espiritual é muito difícil de exercitar, pois não é nosso amor natural. Por natureza, nós amamos sentimentalmente e produzimos bons sentimentos. Além disso, muitas vezes o verdadeiro amor espiritual não é recebido em amor, mas é odiado como os fariseus o odiaram.

Devemos orar para que Deus nos encha com Seu amor e nos capacite a exercitá-lo, sem dissimulação, para com todos.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 22 de Janeiro de 2005.

ACORDE IGREJA

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Roseana Sarney ganhou a presidência da Assembleia, mas vai exonerar José Marcio Leite?

Não concordo com o que postou o assessor-blogueiro Caio Hostilio, em seu perfil no Facebook e em seu próprio blog. Roseana Sarney não perdeu a presidência da Assembleia Legislativa. Ela ganhou!

Ganhou por ter sido eleito um candidato do Governo, e não um da oposição. Ganhou por ter sido eleito um candidato dela... Ou alguém duvida disto?

Diga tchau, Ricardo!
Se Ricardo Murad fosse o candidato de Roseana - ou do Governo, como queiram - a governadora teria entrado na disputa, em favor deste. Porém, quis passar a ideia que não se envolveria, mas todos sabemos da verdade: RICARDO MURAD ERA CANDIDATO DELE MESMO, SOMENTE.

Agora, o mais interessante de toda a Eleição da Assembleia Legislativa é que o atual secretário de Saúde, José Marcio Leite, corre o risco de sair humilhado, posto que Ricardo já se auto-convidou para assumir a Secretaria.

Perde Roseana Sarney se nomear Ricardo Murad como secretário de Saúde, pois mal tendo sido reempossado à Pasta, José Marcio Leite já teria de ser exonerado - ou retornar à assessor adjunto, tanto faz.

O certo é que, de presidente "eleito", Ricardo passou agora a um pedinte, pois está nas mãos de Roseana Sarney a vida política de Ricardo Murad: atende seu desesperado pedido, digo, auto-convite de voltar à Saúde, ou coloca-o em seu devido lugar de APENAS deputado, seja lá como este conseguiu ser eleito.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O oportunismo de Flávio Dino

É oportunismo, sim!

Votei em Flavio Dino, mas não tenho concordado com esse oportunismo por parte dele. A coisa ficou tão sem medida que Flavio Dino já se confunde todo e sai com essa de “derrotamos o atraso no Brasil”.

Que derrota, cara pálida?

Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil. E se Dilma ganhou, e esta é a continuação do governo Lula, como é que alguém que diz que a apoia poderia dizer uma asneira dessa? Paradoxal, não!?

Vitória seria a palavra-chave correta para os que apoiaram Dilma Rousseff, não derrota.

Não, não. Não foi um ato-falho de Flavio Dino – ou de Márcio Jerry, sei lá! – espalhar essa pérola. É oportunismo tresloucado, mesmo.

A verdade é que, após a derrota – aqui, sim, houve – nas urnas, Flavio Dino entrou em um desespero tão doentio de continuar a ser “o novo”, “o representante máximo” – quando não, único – da “oposição maranhense”, que em tudo se aproveita para sustentar-se em meio aos que não votaram em Roseana Sarney para governadora do Maranhão.

Pensa Dino que usar o Twitter diariamente para chamar o governo Roseana Sarney de oligarquia ficha suja garantirá sua eleição para prefeito em 2012, quem sabe. Lá, Flavio Dino pode ganhar RTs e seguidores com isso, mas não se traduzirá em votos e esqueceram de dizer isto a ele. O mesmo vale para um possível projeto ao governo do Maranhão, em 2014.

Completamente obcecado pelo poder, Flavio Dino tem criado situações ridículas para não sair da mídia. Diariamente tenta passar a idéia de que é perseguido, e não esse menino chorão e aproveitador.

Ah, é! Lembrando do que disse o Lula, talvez, se tivesse enxugado os olhos, Dino teria sido inteligente, dizendo apenas isto: “vencemos no Brasil!”.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Maranhão cansou. É #ForaRoseanaSarney


Há muito venho alertando o que a oposição maranhense não enxerga: a candidatura de Roseana Sarney é frágil e, muito diferente do que apontam as pesquisas eleitorais, Roseana não se elegerá.

Desde o início, quando Ricardo Murad tentou desvirtuar o #ForaRoseanaSarney, grito dito pelo povo do Maranhão e não por algum candidato, isto ficou claro: o #ForaRoseanaSarney incomodou.

Por quê? Simples. Roseana Sarney, Ricardo Murad e, principalmente, Duda Mendonça sabem que é este o real desejo do povo do Maranhão.

E isto ficou ainda mais evidente agora, quando, em seu programa eleitoral de TV, a candidata Roseana Sarney tentou instalar o medo e a intriga no coração do já sofrido povo maranhense.

Forjando ataques ao Estado- e feitos pelo próprio maranhense, pasmem. - foi tentado passar a imagem de que o movimento criado é baixo, apelativo e preconceituoso.

Pensando ser espertos, nada falaram sobre o #ForaRoseanaSarney, passando apenas a idéia de que um movimento contra o Maranhão está sendo formado por internautas. Além de mentir e esconder, erraram feio.

Roseana Sarney não usaria o espaço que tem no programa eleitoral de TV à toa. Sua candidatura está abalada pelo grito #ForaRoseanaSarney, o que levou a sua equipe de marketing - que, pelo visto, nada conhece de internet - à criar este vídeo tosco e denunciante do total desespero.

Contratado ao custo de R$ 12 Milhões, Duda Mendonça não contava com a força da internet. No máximo, acreditava ele que os poucos que tem acesso à rede não passariam dos 140 caracteres do Twitter, onde o #ForaRoseanaSarney começou. Errou novamente.

O #ForaRoseanaSarney cresceu, não se resumiu à internet, tomou força e chegou ao interior do Estado - local onde poucos tem acesso à rede, diga-se - conclamando o povo do Maranhão à libertação. E o povo, claro, aderiu ao movimento.

Mesmo sabendo que a maioria dos veículos de comunicação do Estado, vendidos e calados, pouco tem publicado sobre o movimento, passeatas estão sendo organizadas; em poucos dias, os novos caras pintadas estarão nas ruas numa só voz: #ForaRoseanaSarney.

E como foi dito logo no início, a candidatura de Roseana Sarney é frágil, frágil. Não enxerga quem não quer.

Agora, para quem ainda duvida - como duvidou o Duda Mendonça, esclareço: o sentimento de indignação e mudança é maior que 140 caracteres. O #ForaRoseanaSarney chegou às ruas de todo o Maranhão e, certamente, chegará também às urnas.

O Maranhão cansou. É #ForaRoseanaSarney.

sábado, 4 de setembro de 2010

#ForaRoseanaSarney

Expressando meu sentimento e da maioria dos maranhenses, cansados de tanto escândalo do grupo que domina o Maranhão há mais de 40 anos e ninguém faz nada, num basta, resolvi gritar, no Twitter, um #ForaRoseanaSarney.

Sou maranhense, eleitor pensante, conheço a pobreza de meu Estado, nunca vi tanto cinismo e engodo como nos programas eleitorais da Roseana Sarney, e sei que o desejo de tirá-la do poder não é somente meu.

Aqui, a governadora e candidata a reeleição não está nem aí se o Maranhão tem os piores índices do país.

Ficha Suja, Roseana traz para si a absoluta ausência de culpa, ainda que não dê a mínima para a coisa pública.

O Maranhão é o Estado mais pobre e desvalido da União, porém, ou os eleitores de Roseana Sarney têm razões que a própria razão desconhece, ou as últimas pesquisas eleitorais que a colocam à frente dos outros candidatos são tão cheias de farsa e mentira quanto as promessas que a candidata faz em época de eleições.

E falando em promessas mentirosas, estas, em tempo de campanha política, é o que não faltam à Roseana Sarney: estrada fantasma de Paulo Ramos-Arame; Fábrica de Confecções de Rosário; Pró-Saude; indústria de pesca no litoral maranhense; colocar o Maranhão no competitivo mercado aéreo-espacial mundial; Distrito Industrial no campo de Perizes; construção de 71 hospitais...

Sabedora da inelegibilidade da candidata, a vice-procuradora geral eleitoral, Sandra Cureau, enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na segunda-feira, 30 de agosto, um parecer contra a candidatura de Roseana Sarney para o governo do Maranhão. Neste mesmo dia – e num posterior, este assunto tomou conta de boa parte da mídia nacional e, principalmente, do Twitter, no Maranhão. Resolvi então criar o movimento #ForaRoseanaSarney.

Todos os grandes veículos de comunicação do Brasil e do mundo estão de olho no principais assuntos do Twitter. Foi pensando nisto - e na indignação minha e de todos os maranhenses - é que criei o #ForaRoseanaSarney para conquistar uma posição no Trending Topics Brasil. Como a maioria dos veículos de comunicação do Maranhão se calam ou se vendem, resolvi chamar a atenção da imprensa nacional para o que realmente o povo deseja, desmentindo todas as pesquisas eleitorais para o governo do Maranhão.

Com uma campanha eleitoral milionária, Roseana não contava com a força da internet. Seu choro e esperneio levou o não-sabe-onde-fica, Ricardo Murad, cunhado que já falou coisas impublicáveis a respeito da candidata, a mostrar o quão frágil é a candidatura da chamada "A Branca". Num tweet de claro desespero, o também candidato à alguma coisa falou bobagens e atribuiu o #ForaRoseanaSarney ao candidato Flavio Dino. Melhor seria ter ficado calado.

Hoje, o grito de libertação #ForaRoseanaSarney ganhou força nacional, virou mobilização social, ganhou até camisa, e vai varrer do mapa, aposentando de vez da vida pública brasileira, um dos maiores vermes da nossa história.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sobre o evangelho que é a negação do ensino de Jesus Cristo



No seio do "Cristianismo" há pessoas que vivem como bem entendem e que, ainda assim, desejam as bênçãos do Evangelho de Cristo Jesus.

Explico:

As pessoas não leem a Palavra - exceto em reuniões da igreja; não conhecem Jesus - exceto como nome poderoso nas bocas dos faladores de Deus; não oram - exceto dando gritos de apoio às orações coletivas; não praticam a Palavra - exceto a palavra do profeta do grupo, ou do pastor; e, de Jesus, nada sabem; pois, de fato, nada Dele experimentam.

Entretanto, as pessoas ficam pensando que o Evangelho que elas nem sabem o que é haverá de abençoá-las em razão de que elas estão sempre no "endereço de Deus": o templo da "igreja".

Assim, vivem como pagãos em nome "de um certo Jesus" que não é Jesus conforme o Evangelho, e, ainda assim, seguem "um evangelho" que não é Evangelho, para, então, depois de um tempo, acharem que o Evangelho não tem poder, posto que acham que já o provaram e de nada adiantou.

Milhões pronunciam o nome de Jesus, mas poucos o conhecem numa relação pessoal.

Não estou sendo radical, e muito menos julgando e/ou querendo ser mais "crente" que outros. O que ora você lê aqui é bíblico: "naquele dia, muitos pronunciarão: Senhor, Senhor! ... Mas poucos serão os conhecidos pelo Filho."

Na realidade, o que vejo são pessoas estudando teologia sem conhecerem a Deus; entregando-se ao ministério sem experiência do amor de Deus em si próprias; brigando pela "igreja" sem amarem o Corpo de Cristo em seu real significado; pregando "a mensagem da visão da igreja" julgando que tem algo a ver com a Palavra de Jesus.

Assim, vão se enganando enquanto enganam!

O final é trágico: vivem sem Deus e ensinam as pessoas a viverem na mesma aridez, sem Deus na vida!

Hoje, o amor à Bíblia como livro mágico acabou com o amor à Palavra como Espírito e Vida!

Não se lê mais a Palavra. As pessoas levam a Bíblia aos "cultos" apenas para figurar na coreografia e na cenografia da reunião — nada mais!

Oração em casa, sozinho, com a porta fechada, e como algo de amor e de intimidade com Deus, quase não há quem pratica!

Enquanto as pessoas não voltarem a ler a Palavra - especialmente o Novo Testamento, jamais crescerão em entendimento e jamais provarão o beneficio do Evangelho como Boa Nova em suas vidas.

Há até os que depois de um tempo julgam que o Evangelho é fracassado em razão da "igreja" estar fracassada.

Para tais pessoas a "igreja" não é apenas a "representante de Deus", mas, também, é o próprio Evangelho!

Que tragédia: um Deus que se faz representar pelo coletivo da doença do "Cristianismo" e que tem na "igreja" a encarnação de um evangelho que é a própria negação do ensino de Jesus!

O que esperar como bem para tal povo?

Se não tiverem o entendimento aberto, o que lhes aguarda é apenas frustração, tristeza e profundo cinismo - isto tentando me sair de dizer que o quê verdadeiramente os espera é o inferno.

Quem puder entender o que aqui digo, receba-o para o seu próprio bem!

E, inteiramente, que passem a seguir Aquele que não é quem dizem que Ele é.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Do desculpar e do perdoar

Verbos aparentemente de significado idêntico ou pelo menos utilizados com igual propósito, desculpar e perdoar, na realidade, representam atitudes bem diferentes.

Desculpar, como a própria etimologia revela, é tirar a culpa de alguém. Desculpar-se é pedir a alguém que lhe tire a culpa. Há muitas maneiras de pedir desculpas, sendo a mais difícil: "Desculpa o meu erro. Espero não fazer isto novamente".

Porém, ainda assim, tenho como fraco o verbo desculpar. Prefiro o perdoar: "Perdoa-me pelo mal que meu erro lhe causou". É frase para poucos; para os bem-aventurados. Os demais tendem somente a esboçar palavras de desculpas, que, por muitas vezes, pioram as coisas.

Bem diferente do desculpar, perdoar não repara, mas renova. Não elimina as aparências, mas restabelece a ligação entre as pessoas. Recupera laços, liberta quem dá e quem recebe. Transforma o não dito em confissão, colocando as ofensas num confronto direto, e por vezes difícil, com a dor provocada e o sofrimento calado.

Uma vez que se pede perdão pelo erro, seria mais fácil se a pessoa aceitasse o pedido imediatamente, mas nem sempre é o que acontece. Portanto, o correto é ser paciente com a espera pela resposta.

Já quem apenas pede desculpas, deveria ao menos ser honesto e dizer a frase conforme está lá, em seu coração, e não como sempre diz:

- Não acho que tenha errado, mas lamento muito que a minha atitude lhe tenha trazido algum dano.

- Não tive a intenção de ofender você, mas, ainda assim, peço desculpas pelo transtorno que involuntariamente causei.

- A sua atitude não me deixou alternativa, senão reagir deste modo. Lamento muito.

- Peço desculpas não pelo que fiz, mas pela forma que fiz; como você sabe, eu estava sob intensa pressão e me excedi.

- Não era esta a minha intenção, mas, se magoei você, queira me desculpar.

- Errei, mas, no meu lugar, qualquer um erraria. Desculpe.

- Desculpe, mas você sabe que eu sou assim.

A lista pode ser interminável, porque, em matéria de auto-engano, não há quem supere o ser humano (rimou!). Todas essas desculpas se resumem a uma frase que não foi dita: "Na verdade, a culpa é sua". O que essas frases, na verdade, pretenderam dizer foi:

- Se eu não errei, mas você se ofendeu, a culpa é sua por ser assim tão sensível e sofrer sem necessidade.

- Se eu não tive a intenção, você deveria se colocar no meu lugar e vir minha boa intenção.

- Se você me forçou a agir como eu agi, é você quem me deve pedir desculpas.

- Se errei apenas na forma, é porque eu estava correto no essencial e você não prestou atenção.

- Se magoei você e você não deveria ficar magoado, você é quem me deve desculpas, por me fazer sentir tão mal.

- Se errei, como qualquer um erraria, não sou pior que ninguém.

- Se minha natureza falou mais alto e explodi, você deveria ser mais compreensivo e menos exigente comigo.

O que fazer diante de pessoas capazes de nos atacar triplamente - nos ofendem, nos culpam e nos fazem ficar mal, acusando-nos de sermos tão cruéis? Manter distância. A distância deve suceder um esforço de diálogo pedagógico, no afã de mostrar a impropriedade ofensiva pedidos de desculpas.

A distância deve ser acompanhada da observação participante e ainda da expectativa honesta de que haverá mudança. No entanto, para alguns, isso não é cristianismo sincero.

Certo é que, só há uma atitude correta a se tomar quando um erro é cometido. E "Perdoa-me" são as palavras certas a se dizer nesta hora. Está claro que perdoar é mais que desculpar, vai muito além de tirar a culpa de alguém.

Em que me baseio para escrever isto tudo? Por meio da morte de seu único filho, Deus nos concedeu perdão - e não desculpas - por todos os nossos pecados. O sacrifício de Jesus na cruz é à maior prova de apagar de erros que qualquer pessoa poderia receber.

Ao se aceitar este sacrifício, com sincero arrependimento pelas iniquidades cometidas, Deus concede perdão e apaga de Sua memória todo e qualquer erro, para sempre.

Agora, o desafio é que se faça o mesmo: perdoar. Você consegue?!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Eu amo você, Marcia Rodrigues

Hoje é um dia muito feliz para este blogueiro. Em Provérbios 31:10, a Palavra de Deus nos coloca: 'Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis'...

Sim, exatamente o que estão pensando: O Senhor me abençoou poderosamente, e eu a encontrei; a minha mulher virtuosa. =)

Faço, hoje, três meses de namoro com a também blogueira, Marcia Rodrigues.

Glorifico a Deus por o tudo que Ele tem feito em nossas vidas. Por tudo que Ele tem nos ensinado.

Completamente apaixonado pelo presente que meu Papai me deu, compartilho a alegria que a mim foi dada, com todos:

A Marcia Rodrigues

Sorriso que me encanta.

Inteligência que me fascina.

Olhos que - em mim - despem tudo, tudo, tudo.

Curiosa, poeta, doce, adoradora, blogueira, delicada, leal, inteligente, escritora, hacker, ungida, atenciosa, elegante, madura, dedicada, fascinante, encantadora, divertida, talentosa, terna, crentona, carinhosa, empenhada, surpreendente, honesta, insubstituível, compreensível, sincera, engraçada, namorada-amiga-esposa-companheira-amante-mulher...

... A Marcia é a menina mais linda do mundo!

Ela espontânea, mas sabe muito bem o que fala. Ela é cativante e linda!

Tem olhos que brilham - e eu os adoro.

Ela me deu uma filha linda.

A Marcia é o que eu sempre quis ter ao meu lado. 'Eu a amo é muito'.

'Amo tanto que nem sei. Sou feliz que só!'

Agradeço a Deus pela paciência, pelo abraço, pelas conversas, pelo bom humor e tudo o mais. Ela é o meu milagre. Minha benção.

A Marcia me dá conselhos verdadeiros. Ela cuida de mim!

Seus sorrisos me animam. Seus conselhos são os melhores... A Marcia me faz bem, muito bem. Nos falamos só com o olhar, até que simplesmente chegamos ao outro e: 'Hum?!'

Presente de Deus; não tenho palavras para descrever o quanto ela é importante e especial para mim!

A Marcia é meu amor para vida inteira. Ela é o meu pra sempre.

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Marcia,

Você é a menina mais lindo do mundo.

Eu amo você!

Há algo muito especial que o Senhor colocou em sua vida. E isto que me conquistou!

Nosso relacionamento tem um propósito. Não é algo que se resuma à nós próprios... Se resume no Senhor!

Sempre sonhei com um relacionamento que tocasse o coração de Deus. Creio que temos feito isto!

... E acredito que sempre será assim: tudo para glorificar o nome dAquele que tem transformado e mudado as nossas vidas.

... Que habitemos sempre em Sua presença!

Que nossa adoração alcance o coração do Pai.

Que nossos pensamentos, sonhos e planos estejam no centro de Sua perfeita vontade!

E eu creio...

Sim, eu creio...

Creio que Ele usará nossas vidas com poder!

Não sei para onde nos levará, mas sei que estaremos sempre juntos. E que Ele nos levará para abençoar uma geração que O busca apaixonadamente!

Este é o desejo que arde em meu coração. E sei que arde no teu, também!

... De sermos usados por Deus a fim de anunciar a chama de paixão e intimidade com Ele.

E que Camila, Yanni, Yan e Yago estejam, também, rendidos aos pés dEle. Para a Glória de Jesus!

Que nosso Pai nos envie onde queira. Onde estiver o Seu coração, é ali que habitaremos!

Amor, vamos formar uma família que seja completamente fascinada e apaixonada por Jesus. Eu creio!

Eu amo você, Marcia.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!



Passados doze meses de um escrito quanto ao que a humanidade fez com o Natal, hoje, como um homem convertido em Cristo, observo que algumas igrejas têm-se questionado se é necessário comemorar o Natal.

Na verdade, algumas igrejas até eliminaram, de uma forma abrupta, o culto de Natal; outras proíbem até falar do Natal ou alguma coisa parecida. A base que eles têm é a defesa de alguns líderes acerca da intromissão do paganismo nesta festa e comemoração.

Dizem, com razão, que árvores de natal, Papai Noel, presépios, troca de presentes, guirlandas e velas, dentre outros, vieram do paganismo. Também afirmam que, como ninguém sabe a data certa do nascimento de Jesus, então não podemos comemorar esta data.

Agindo assim, a Igreja do Senhor demonstra-se imatura, infantil e sem firmeza na Palavra de Deus. A igreja, às vezes, faz como Jesus falou em Mateus 23-24: "côa um mosquito e engole um camelo", e tem abandonado algumas coisas essenciais e se apropriado de outras completamente prejudiciais à sua vida.

Deixar de comemorar o Natal por estar misturado com algumas coisas do paganismo é como se jogasse a água suja, a banheira e a criança fora.

É verdade que todas as festas consideradas universais foram misturadas com o paganismo, tanto por uma ação de Satanás, como pela cobiça humana de vender e consumir. Mas não podemos deixar de comemorar uma das festas mais significativas à humanidade, que é o nascimento de Jesus Cristo.

Se pensarmos desta maneira, não iremos comemorar nenhuma festa cristã que seja universal como, por exemplo, a Páscoa, que vem como símbolo o coelho, ovo, chocolate etc.

Deixar de comemorar a Páscoa é falta de sensibilidade espiritual e maturidade de saber separar as coisas essenciais das sem significados e sem base.

É preciso falar os verdadeiros significados, tanto do Natal, como da Páscoa ou outra festa qualquer, tirando os símbolos que não tem nada a ver com as respectivas festas - incluindo árvore de natal, Papai Noel, coelho, ovo, chocolate etc. Mas abandoná-las por completo é deixar de mostrar ao mundo o seu verdadeiro significado. É deixar o mundo sem respostas. É tornar-se como sal insípido, que não testemunha a verdade de Deus.

Apesar de ninguém saber o dia certo do nascimento de Jesus Cristo, não implica dizer que não podemos comemorar, pois um dia Jesus Cristo teve de nascer e já que ninguém sabe o dia certo, convenciona-se o dia 25 de dezembro.

Por que se comemorar tantas coisas sem significados, como dia das bruxas e não se comemorar o dia do nascimento de Jesus Cristo?

Deixar de comemorar o Natal porque não sabemos a data certa, é uma ação impensada e não inteligente. Paulo chegou a dizer que se fez de "fraco para ganhar os fracos", que teve de fazer votos para ganhar os judeus.

Que Igreja é esta que em vez de criar uma estratégia para falar do verdadeiro significado, corre disto e enfia-se na caverna, reclamando como Elias: “ninguém sabe a data do nascimento de Jesus, Senhor, por isso não comemoramos o Natal” - adaptação minha, rs.

Quando se evita de comemorar o Natal e ainda se afirma que ninguém sabe a data certa, este comportamento abre margem para questionamentos, como: ora, se nem a igreja sabe o certo, será que Jesus Cristo nasceu mesmo?

O Natal corrobora a historicidade do nascimento de Jesus Cristo, abrindo a mente das pessoas para o episódio como a comemoração do descobrimento do Brasil e outras datas importantes.

Tenho a questão da data como algo tão importante, que Deus pediu ao povo no deserto que comemorasse a Páscoa exatamente por isto: para que eles nunca esquecessem e soubessem da sua historicidade - "esse dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo" (Êxodo 12.14).

Que entendimento se tem diante disto?! Vê-se claramente que Deus sabia da importância de se ter um dia para comemorar. A igreja quando se escusa disso, está deixando de ter como memorial e assim testificar a sua historicidade.

É como se a própria Igreja não soubesse o verdadeiro sentido do Natal. Alguns poucos podem até dizer de uma forma simplista: é o nascimento de Jesus Cristo, mas não sabem o que isto implica.

Acredito que estes estejam entre os que tiraram o Natal de suas igrejas.

Vale lembrar que o Natal fala da cruz também. É uma oportunidade para se falar da grande razão do nascimento de Jesus Cristo: a salvação das vidas. Tirar esta comemoração é deixar de dar o maior testemunho do Evangelho.

Não foi à toa que os Magos do Oriente vieram por divina revelação para adorar a criança. O que Deus queria fazer era que as pessoas questionassem, pois segundo a Palavra, Jerusalém toda ficou alarmada - Mateus 2.3. Se Deus não quisesse que não houvesse testemunho, não teria deixado que os magos viessem de tão longe e alarmado Jerusalém.

Nota-se que Deus fez questão de manifestar aos pastores por meio dos anjos, os quais "contaram a todos que tinham visto" - Lucas 2.15-18.

Se a Igreja deixar de comemorar o Natal, mais uma vez omite o seu testemunho por causa de sua imaturidade.

É tempo da Igreja se unir e mostrar o verdadeiro valor do Natal e seu significado.

Se houver omissão do testemunho do verdadeiro significado do Natal, a Igreja estará ratificando o testemunho pagão. Isto sim é errado, vergonhoso e pecaminoso; pois onde a Igreja deveria testemunhar, ela fica como tartaruga escondida no seu casco, sem questionar nada, apenas dizendo como papagaio, o que os outros disseram ou pensam.

Portanto, quero terminar este post desejando a todos um Feliz Natal.

sábado, 28 de novembro de 2009

A cegueira quanto ao valor da obra alheia e a falta de prudência na autocrítica

A história da literatura está repleta de episódios de cegueira crítica quanto à própria obra ou quanto a de outros colegas de Letras.

O caso de Franz Kafka é provavelmente o mais conhecido: ele nomeou seu amigo, Max Brod, como executor testamentário e ordenou-lhe que queimasse todos os seus escritos.

... Felizmente Brod não o obedeceu, ou nunca leríamos O Processo ou o emaranhado - também incompleto - que é América, cujo primeiro capítulo fôra o único fragmento do romance publicado por Kafka - A Metamorfose foi outra obra sua publicada em vida.

A propósito de Henry James, a cegueira crítica sobre si talvez seja a menos divulgada. Washington Square, uma de suas novelas de maior ironia amarga, com um estudo feminino de primeira linha - e um desfecho de fina literatura, foi sempre por ele considerada um trabalho medíocre, "superficial", sem todas as "infra" e "entre" leituras de que James tanto gostava e nas quais se esmerava.

... Washington Square foi mais tarde transposta para o teatro, A Herdeira, e levada ao cinema nos anos de 1950: The Heiress - no Brasil, chamou-se Tarde Demais, com Olivia De Havilland e Montgomery Clift, sempre com boa acolhida de público e de crítica. Cegueira, cegueira...

Outro: anos e anos atrás, numa entrevista à Ziraldo, o poeta João Cabral de Melo Neto declarou não ver todo esse valor - afirmado pelo próprio Ziraldo - em Morte e Vida Severina, o seu poema longo mais celebrado. Julgava que "reescrevera-o muito pouco".

Há também os casos de cegueira quanto ao valor da obra alheia. Quantos desastres...

André Gide não percebeu a grandeza de Marcel Proust; tendo recusado a primeira parte dos originais daquilo que se tornaria o magistral Em Busca do Tempo Perdido - consta que Gide mais tarde reconheceu seu erro.

Virginia Woolf leu - ou tentou ler - Ulisses, de James Joyce, e considerou-o "vulgar, mal escrito". Ela nunca deixou de ser - apesar de supor o contrário às vezes - uma "aristocrata literária", e jamais poderia ver com bons olhos um romance que, mal se inicia, coloca sua personagem às voltas com problemas de constipação de ventre. Muito "vulgar", para ela...

Ernest Hemingway teria dito que Fiódor Dostoiévski escrevia mal; se isto é verdade?! Não morro de amores por Hemingway, ao contrário, porém declarar uma heresia destas parece-me demais até para ele...

... Enfim, quando comecei a ler o pequeno estudo sobre Gustave Flaubert escrito por Henry James, e li este dizendo que Bouvard e Pécuchet não era uma grande obra do romancista francês, tratando-a quase que como um "engano", quando é justo este romance inacabado que me fez admirar Flaubert - e não o festejado Madame Bovary, tive de admitir que até os mestres como Henry James podem errar.

Num artigo seu de quase 20 anos atrás, Joyce Carol Oates chamou os escritores profissionais de "os piores críticos do mundo"; é verdade que, nele, ela só abordou a incapacidade de autocrítica da categoria. Contudo, a cegueira quanto ao valor da obra alheia, dependendo das circunstâncias, pode gerar grande mal. André Gide, como editor, vetou Proust; felizmente este último encontrou editores depois. E se não tivesse achado?!

Para contrabalançar - e animar - existe a história inversa: talentos solitários, desconhecidos, desacreditados, nos quais alguém - outro escritor - acreditou. É sabido o apoio que Ezra Pound deu a James Joyce e T.S. Eliot; o elogio do já consagrado Ralph Waldo Emerson à obra Folhas de Relva, do então desconhecido Walt Whitman. Ou a carta breve porém calorosa de Monteiro Lobato a Bernardo Élis pelo seu primeiro livro, Ermos e Gerais.

... E é bonito lembrar que o aparentemente sisudo Flaubert recebia as visitas de um jovem Guy de Maupassant, lendo seus textos e dando-lhe conselhos; escrevendo-lhe e considerando-o seu discípulo.

Escritores deveriam se esforçar em nome da prudência e em ouvirem vozes estranhas às deles; o nosso modo de escrever não é o único modo de escrever. E, acreditem os escritores, já existe conspiração demais neste mundo contra a literatura.

domingo, 22 de novembro de 2009

Guia de Resistência

Dogmas:

1. Este é um mundo medíocre. Não se engane: existe uma conspiração para transformar cada um de nós numa pessoa medíocre, ou seja, numa pessoa que se conforma ao mundo.

2. Existiram pessoas não medíocres - não medíocre = contestadoras; a Maior delas foi pregada numa cruz; outras foram maltratadas, perseguidas e desvalorizadas em vida - Vincent Van Gogh, Soren Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Mme. Jeanne Guyon, W. A. Mozart, Fernando Pessoa... Os contestadores - contestadores = não medíocres - bem sucedidos são poucos. O mundo não gosta dos que tentam estar acima dele.

3. Fama não é sinônimo de não mediocridade. Pode ocorrer o contrário. Vide o BBB. A fama pode enganar o não medíocre para que, cedendo à vaidade, se torne medíocre.

4. Contestar não é sinônimo de não mediocridade. Existem aqueles que vestem a capa da contestação e ganham muito dinheiro com isto. Observe a pessoa. O discurso dela pode soar contestador, mas... Enfim: observe. Há exceções, é claro.

Imperativo: Resista.

Recomendações:

1. Leia. Leia muito. Não só o que é fácil. Dê preferência aos escritores que viveram há pelo menos 100 anos antes de você. Os contemporâneos estão próximos demais para uma avaliação justa.

2. Veja filmes. Os antigos, em especial. Muito do que é considerado "inovador" ou "inusitado" já foi feito há 40, 50 anos, ou mais.

3. Visite galerias de arte. Museus. Se não for possível, explore outras possibilidades: livros reproduzindo os grandes pintores; sites... Olhe. Estude. Não tenha pressa. Deixe cada tela falar com você.

4. Seja maluco ou maluca: dance sozinho - ou sozinha.

5. Ouça música, a popular e a erudita. Preste atenção aos instrumentos utilizados, às mudanças de ritmo, às letras - quando houver, claro.

6. "Filosofia" significa, na origem, "amor à sabedoria". Reflita sobre isto. Ética e Estética não são luxos: tomar decisões, comportar-se no vendaval diário, e apreciar a Beleza sob as mais variadas formas, são prioridades.

7. Creia em Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo. Para conhecê-Lo, vá à fonte - Bíblia. Como diria C. S. Lewis: "esqueça tudo o que você ouviu. Descubra por si mesmo".

8. Procure outras pessoas que ajudem você e a quem você possa ajudar, para que resistam juntas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O orkut e nossa curiosidade sobre o outro

Curioso

De uns tempos pra cá, ando estudando uma ferramenta da rede social Orkut, que denuncia quem visitou mais recentemente o nosso perfil - e que denuncia a nossa visita, em perfis de outros usuários, também.

Em conclusão, tenho que a idéia da ferramenta espiã é de nos incitar a ir ao perfil do outro. Conhecê-lo. Ante esta idéia, fiquei pensando: por que temos toda essa curiosidade sobre o outro?

Vendo pelo lado positivo, penso que é a ânsia de conhecermos uma pessoa que provoca isso. Afinal, não é outra a razão porque lemos biografias e reportagens sobre este ou aquele indivíduo, assistimos entrevistas com fulano e sicrano.

Vejo como positivo aqui esse desejo de conhecermos, de "desvendarmos" uma pessoa que admiramos ou estimamos - ver os seus outros lados. Aqueles que ela não mostra para nós, por pudor ou por falta de oportunidade, porque o contexto não é compatível, ou - será este o nosso temor secreto, a raiz mais profunda da nossa ânsia? - porque não inspiramos confiança para que ela se revele a nós.

Saber o que ela pensa sobre isto e aquilo. Conhecê-la. Essa vontade pode criar no mundo virtual uma premência ímpar, já que tudo o que tocamos do outro são palavras, e idéias que expressa por meio delas.

Ficamos diante de um texto - na blogosfera é comum - e pensamos: "Quem é esta pessoa?" E, se o texto nos fascina, a pessoa atrás dele passa a nos fascinar também.

Não que isso não acontecesse no passado. A internet apenas deu roupagem nova a fomes/desejos antigos, trazendo a excitante possibilidade do feedback instantâneo.

O extremo oposto é o lado negro. Obsessão com o outro. Ciúme doentio. Desejo de controlar, e de vigiar. Daí, o Estado Policial - não , não vou falar de política. E o fato de alguns sentirem suas vidas tão pobres e desinteressantes que precisam ficar assistindo a vida alheia (BBB e similares).

Pode ser que nem sempre seja assim; pode ser. Conheço pessoas encantadoras que veem (argh!) essas coisas. Uma delas disse-me que assistir pode ser viciante. Possivelmente é. Mas talvez ainda não seja tão perigoso como quando nos viciamos nas pessoas menos distantes, querendo tudo delas, sufocando-as, espionando-as pelos recados dos orkuts da vida com o intuito de brigar, comprovar infidelidades; perseguir como "fãs" - alguém viu o filme O Fã: Obsessão Cega? Pois é.

Julgo que o sentimento de curiosidade, o anseio de conhecer, não é mau em si. A maioria dos nossos sentimentos não o é. Contudo, tem seu aspecto perigoso, sombrio, deturpável.

domingo, 8 de novembro de 2009

Jonas e o Fariseu - e nós cristãos

Jonas foi um profeta que, encarregado por Deus de ir pregar na ímpia cidade de Nínive, fugiu a isto; acabou na barriga de um grande peixe.

Salvo por Deus, Jonas foi para Nínive, pregou a futura destruição da cidade, e esta se arrependeu da sua pecaminosidade - o que muito desagradou a Jonas, que se recusava a ir a Nínive justo por isto.

No grande momento do capítulo 4, Jonas diz a Deus que sabia que isto aconteceria e por esta razão se negava a pregar - pois a cidade se converteria e Deus os perdoaria.

"(...) Pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal", disse Jonas; chegando ao cúmulo de pedir que Deus lhe tirasse a vida.

Sim. Jonas prefere morrer a ver aquele povo pecador perdoado e salvo por Deus.

Absurdo? Chocante?

Na parábola narrada por Jesus em Lucas 18, dois homens vão orar no templo: um, fariseu - seita rigorosíssima do Judaísmo; o outro, publicano - coletor de impostos, classe quase sempre corrupta e em geral desprezada pela gente honesta daquela sociedade.

Enquanto oram, o fariseu gaba-se de suas virtudes diante de Deus; aproveitando para criticar seu companheiro: "pois não sou como esse publicano", disse ele.

O publicano, envergonhado nesse momento em que fala com Deus, nem ergue a cabeça: só suplica por misericórdia para si. Jesus conclui a história dizendo: Digo-lhes que o publicano desceu justificado para a sua casa, e o fariseu, não.

O que há em comum nessas duas histórias - nesses dois personagens, Jonas e o Fariseu?

Jonas era um servo de Deus. Foi rebelde com Ele porque, na sua visão, os ninivitas não mereciam ser salvos - e ele sabia que, arrependendo-se eles, o Deus a quem servia os perdoaria.

O fariseu congratula-se consigo mesmo por ser tão virtuoso. Começa a orar agradecendo a Deus, porém depressa passa ao auto-elogio e à crítica do seu próximo, o publicano.

Nas suas palavras de agradecimento a Deus, o fariseu deixa entrever que sua concepção de Deus é reducionista: ele O vê semelhante a si próprio, valorizando as mesmas coisas e desprezando as mesmas coisas - e pessoas.

Jonas conhece o coração de Deus, por isto sua revolta. O fariseu faz Deus à sua imagem e semelhança.

Qual deles é o pior?

Temos "Jonas" na igreja - cristãos que não querem partilhar o Senhor com os outros; que julgam-se os únicos dignos de Deus - como se o grande mandamento do evangelho não fosse justo o contrário: boas novas para os totalmente indignos.

Temos fariseus também - cristãos que se congratulam por sua frequência aos cultos; por sua fidelidade nos dízimos e ofertas; por sua vida impoluta. Que desprezam o pecador, e que acreditam estar Deus tão contente com eles, fariseus, quanto eles mesmos estão; que acreditam que Deus joga pelas mesmas regras que eles, desprezando outros seres humanos que bem longe se acham da perfeição.

Ao final, resta-me uma última pergunta:

Crente Jonas ou crente fariseu, qual deles você é?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Da desculpa de que a carne é fraca

Desde criança - e mais ainda após convertido em Cristo, sempre ouvi pessoas e mais pessoas fugindo de seus erros, utilizando-se da risível desculpa de que "a carne é fraca".

Nunca percebi o porquê de se dizer isto. Afinal, que culpa tem a carne das nossas fraquezas?

Fracos somos nós - e mentirosos!

Enfraquecemos quando não sabemos o que queremos. Esta é a verdade!

E o que mais me assusta em tudo isso é que a grande maioria de nós não só se utiliza dessa desculpa, como também a aceita.

Sim... Nós!

Acredito que, quando se sabe o que se quer, não há carne que nos faça cometer erro algum e, melhor analisando, suponho que essa expressão tenha vulgarmente nascido como desculpa para o pecado sexual.

Verdade seja dita: quem, num momento ou noutro, não sentiu uma atração e tentou algo com a colega de trabalho; com a professora; com a vizinha do lado; com a namorada ou mãe do melhor amigo; com a namorada do pai; como a amiga ou namorada do irmão... Isto para os homens; para as mulheres, basta que se mude o gênero...

... Sei lá, aparecem em nossa vida tantas pessoas com "bom aspecto", que acabamos olhando para estas, e pensamos: "eu até comia!" – carne!

Então não temos o direito de sentir atração e tentar algo com o outro, Yuri? Sim. É claro que temos!

Evidentemente, essa parte de nós está sempre viva... Ela é natural; física e cientificamente provada que acontece a todos!

Agora, dizer que a carne é fraca, quando na verdade o que se passa é em outro nível, isto é que não!

Na verdade, dizer que "a carne é fraca" não serve como desculpa para nada de nada!

A carne não se entrega, não se envolve, não se partilha. A carne se come. E enquanto se come, dá prazer - ou não! E depois... Depois levantamos da mesa e vamos embora.

É como ir a um restaurante comer e voltar para casa, perguntar à sua esposa o que se tem para o jantar, e comer novamente. Comer, gostar, adormecer feliz com a última refeição... E nem sequer pensar na refeição do restaurante!

Sim, Yuri, mas e quando há o gostar; o querer... E quando há toque de e no espírito?

Respondo: uma coisa é carne, outra coisa é espírito!

O espírito envolve muita coisa. Ahhhhhhhh, o espírito! O espírito é onde se guarda toda a nossa essência. O nosso ser. As nossas emoções. É o que chamamos de alma. E o pior – que é inteiramente diferente do que se está discutindo aqui, o espírito é onde se guarda as pessoas com quem estamos emocionalmente envolvidos.

Não aceito que me venham dizer que um envolvimento emocional, por exemplo, o querer estar nos braços de outra pessoa; o querer olhar nos olhos do outro; partilhar um por de sol ou um momento de silêncio; o querer tocar levemente nas mãos do outro; o sentir o coração a palpitar durante um abraço; o sentir borboletas no estômago quando os olhares se cruzam, seja carne.

O espírito pressupõe uma entrega verdadeira e honesta do nosso eu! Não há "baralhação" possível a estas duas situações. Não há como baralhar!

Um leva-nos a fazer sexo, outro leva-nos a fazer amor - ainda que não haja sexo!

Obviamente que a entrega de espírito pode nos levar também a entregar o corpo, mas isto é um pormenor que deixa de ter importância. Afinal, quando o espírito for entregue, o corpo também será...

E o que há de mais penoso em tudo isso é quando nos utilizamos dessa expressão para nos desculpar de uma traição. Entendo que nesta situação não se deve pedir desculpas, mas a compreensão. É aceitar... Ou não!

Ora, por favor! Isso não é ter a carne fraca. Isso é ter um compromisso fraco!

Digo convicto que somos nós que mandamos no nosso corpo, portanto podemos perfeitamente controlá-lo! Eu, Yuri Almeida, erro porque eu quero – carne, novamente!

Ante tudo isso, surge-me uma pergunta: o que é que custa mais a perdoar afinal, uma traição de corpo, ou uma traição de espírito?

Outra... Seria um pedido de desculpas de uma traição, sincero? Ou o amor é um sentimento que perdoa a culpa?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Lobos em pele de cordeiro

Ando pensando a respeito de uma situação que recentemente aconteceu comigo: descobri que pessoas com quem não mantenho contato há certo tempo, andam, por assim dizer, a falar mal de mim pelas costas.

Confesso que estou frustrado. São pessoas pela quais ainda tinha certo respeito, posto que deva parte do que sou hoje à passagem que fiz em tal comunidade.

Na verdade, eu até agradecia pelo crescimento proporcionado. Porém, depois de tal ato, percebo que realmente vivemos num mundo onde muitos são lobos em pele de cordeiro, que é difícil distinguir os bons dos maus.

As coisas não saíram do jeito que elas desejavam. Talvez fosse mais fácil difamar do que aceitar que o outro é diferente, que tem personalidade - pensa e age de forma diferente, que não consegue se submeter muitas vezes às “regras” absurdas que favorecem somente os que tem poder.

Tenho minha fé. Deus é o único que conhece verdadeiramente o meu coração. Eu sei que não tenho o direito de julgá-las. Eu sei...

O fato, porém, é que cansei de hipocrisia.

Cansei de pessoas manipulando pessoas. Gente de boa fé, que muitas vezes vai até aquelas para aliviarem seu sofrimento “espiritual” e os tem por “santos”, “profetas”, “líderes”. Pessoas humildes, simples, que muitas vezes não discernem que nem tudo é o que parece.

Sou o que sou, gostem ou não. Tenho minha fé, já disse!

Não imponho nada a alguém, tampouco sou escravo de uma comunidade manipuladora que usa a parte mais sensível das pessoas para tirar proveito.

Por fim, um recado: em tempo algum tencione que você realmente sabe quem é alguém. As pessoas em todo tempo darão um jeito de te surpreender, seja para o bem, seja para o mal.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Um Auto-Retrato, Ou Quase

Cabelos negros, ora grandes. Olhos castanhos. Sobrancelhas bagunçadas. Nariz grande e esquisito. Mãos pequenas. Rosto em forma não definida.

Inquieto, sempre. Sensato por fora, trabalhando para ser assim por dentro.

Criativo. Perquiridor. Sensibilidade, um exagero. Algoz de mim mesmo. Choro fácil. Algum riso. Sorrisos moderados.

Paixões imorredouras: ler e escrever. Muitos conhecidos, poucos amigos. Gostar é gostar - não é amar. Carente. Impulsivo. Efusivo com os que amo - de vez em quando me arrependendo disto.

Vida interior: a que prezo mais do que tudo. Interessado em pessoas. Como evito mentir, ter dito a verdade às vezes me atormenta. Apaixonado por Cristo. Escravo de Seu desmedido amor. Intolerante com a intolerância - o que é outra forma de ser intolerante, infelizmente.

Pavio curto com opiniões sobre fé cristã e opiniões sobre literatura. Discuto com cristãos. Não faz sentido brigar com descrentes. Discuto com quem escreve e com quem lê muito - conversas que podem soltar faíscas.

Inseguro por um lado, por outro não. Otimista: um rio corre dentro de mim, inesgotável. Criança, jovem. Verdadeiramente vivo – entusiasmo-me sempre, sempre, com um livro, um escritor, uma idéia, uma amizade...

E amanhã faço vinte e sete anos... Estou feliz.

sábado, 19 de setembro de 2009

Inteligência Emocional

Inteligência Emocional

Perante uma situação de desalento ou desmotivação, temos de ter uma jogada de inteligência emocional. O que é isto, talvez eu não saiba responder por definição, mas por experiência.

Uma jogada de inteligência emocional é conseguir contrariar as nossas emoções com estilo, com nível; de forma a surpreendermo-nos a nós próprios!

É qualquer coisa do gênero; estou tão triste, mas dar uma gargalhada que veio não sei de onde, nem o porquê, nem me apercebi, mas surpreendi-me!

É dar colo à nossa tristeza; embalá-la; adormecê-la.

É mimarmos a nossa pessoa; dar-lhe coisas boas; mandá-la ao ar e fazê-la rir.

Temos que nos mimar nos nossos momentos difíceis; tirar um tempo para nós!

Esta seria uma jogada de inteligência emocional. Damos conta e já estamos a viver novamente; a sorrir, nem que seja do disparate que nós próprios cometemos.

Tiremos um tempo para nós, mas não um tempo infinito que nos leve ao silêncio, ao desalento, a uma sala sem portas nem janelas!

A questão aqui é não desistir de nós; acreditemos que tudo à volta tem uma resolução. Tudo se resolve, mas não podemos ficar a espera que se resolvam sozinhas.

Hoje em dia, desmotivação pode ser considerada um luxo! Só poderia se desmotivar quem tem uma vida, uma alma, um espírito recheado de riquezas, de experiências, de tudo...

Não podemos nos dar ao luxo de ficarmos impávidos e serenos a assistir à nossa autodestruição.

Sim, porque a falta de auto-estima é o inicio do caminho para a nossa dissipação, desintegração, alienação do mundo; quando damos conta já não estamos cá, estamos do outro lado da vida.

E esta é uma luta em que só podemos ganhar porque só dependemos de nós, da nossa táctica, da nossa estratégia, das nossas armas.

... Depende de nossas escolhas.

Não estou a dizer para mudarmos a situação; é mudar a forma como recebemos e vivemos a vida. Isto faz toda a diferença.

Não é deixar passar, não é esquecer, não é deixar andar porque um dia vai passar. Afinal, tudo o que não se resolve continua a ser um problema, que mais tarde ou mais cedo nos assalta o pensamento.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre o querer e o gostar

Ora, aqui estão duas palavras que nunca tinha pensado que me levassem a questionar o seu sentido ou significado.

Ontem, estava a ouvir uma coisa qualquer na televisão; ao que alguém disse: “tenho de ir, pois não gosto de chegar atrasado…”, mas o rapaz nunca que se ia embora, e eu pensei; “não gosta, mas continuando aí, vai chegar atrasado! Se não quisesse chegar atrasado, já tinha se posto a andar!”.

É que não gostar é uma coisa; o não querer é outra! Eu também não gosto de chegar atrasado, mas às vezes…

Agora, quando não quero… Chego na hora agendada!

Deitando-me um pouco; meu pensamento foi andando, andando… E conclui mais ou menos isto que vou tentar transmitir:

O gostar é superficial. Sim, superficial. E tão superficial o é, que deixamo-lo andar conforme o vento, ou a corrente.

É um querer que se sujeita a fatores externos. É um querer que não nos obriga a grandes esforços; não nos faz lutar. É quase indiferente…

É um querer sem ação; fica por ali.

O querer é diferente porque depende da nossa ação. Se quisermos alguma coisa, acabamos por lutar por ela.

O simples fato de termos de lutar por o que queremos, já torna este querer dinâmico; já lhe dá vida, já lhe dá corpo e as coisas acontecem.

Conclui-se que, querer é mais que o gostar... Ou pelo menos tem um peso diferente.

Talvez haja uma tendência de probabilidades de acontecimento...

Senão, reparem nas seguintes frases que usamos vulgarmente no nosso quotidiano:

"gosto de ti" ou "quero-te";
"gosto de mudar de emprego" ou "quero mudar de emprego";
"gosto de gelado de morango" ou "quero gelado de morango";
"não gosto desta comida" ou "não quero esta comida";
"gosto de estar contigo" ou "quero estar contigo".

Em suma, para conseguirmos as coisas temos que mudar a nossa forma de pensar. Temos de substituir o gostar pelo querer. Até porque conseguir o que se quer é que nos dá mérito. Conseguir o que se gosta, pode dar mérito a outro.

sábado, 22 de agosto de 2009

A criança que nos habita

Crianças

Relendo o livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, clareou-me uma questão digna de post: chegamos a adultos sem darmos por isto.

É um processo tão radical, que se torna comparável ao nascimento, em que, ao passar por um canal de luz, passamos de seres não identificados para gente pequenina.

Ainda ontem eu era uma criança, dei um salto por cima de alguma coisa que desconheço, e subitamente olho para mim e sou um adulto!

Alguns de nós fomos adultos à força; então esquecemo-nos da criança que somos. Perdemo-nos dela no percurso da vida; abandonamo-la algures.

Disseram-me que as crianças despertam em nós um sentimento de ternura e proteção que os adultos não despertam. Compreendo. Talvez isto aconteça à pessoas que estejam habituadas a trabalhar com crianças diariamente. Mas e as que não estão? É natural que um adulto desperte em nós este sentimento de ternura, proteção e carinho incondicional?

Eu, quando sinto isto em relação a um adulto é porque me dou conta que dentro deste adulto habita uma criança. Dentro deste adulto há qualquer coisa de frágil e sensível, de pureza e de inocência.

Penso que quando encontramos esta criança dentro dum adulto, há então espaço para sentirmos vontade de o proteger, de o mimar e confortar. E, sem nos apercebermos disto, o nosso abraço conforta esta pessoa; como o abraço de um adulto conforta e protege uma criança.

É indiscutível!

Parece mágico um abraço assim. Não sei se já experimentaram: um adulto que abraça a criança que habita no outro adulto; a criança que nos habita que é abraçada por um adulto; e melhor que tudo, duas crianças que habitam dois adultos que se abraçam perdidas, e se sentem protegidas.

Crianças se abraçando

Para experimentar esta sensação, basta encontrar no outro a criança que o habita. Basta encontrar em nós a criança que somos, e mostrá-la sem receio da sua fragilidade e inocência.

As crianças são todas inocentes, não fazem juízos de valor; no seu abraço não há avaliação disto ou daquilo. É apenas um abraço que tranquiliza e dá paz no meio da guerra dos adultos.

E este abraço é tão bom...

O mundo dos adultos é que nos cega, mas elas continuam cá. Eu sei, eu sinto.

Te peço, não perca a tua. Tentarei não perder a minha...