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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Da Arte do conhecimento: nossa medíocre e deficiente formação intelectual acadêmica

Em Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley nos mostra uma sociedade totalitária, onde o ser humano é condicionado conforme o bel-prazer de uma casta que domina politicamente os demais.

Na obra, podemos ver um farto material sobre a formação intelectual de um povo, com uma visão literária; tornando-se fonte excelente para o problema que aqui exponho.

Mas antes, urge destacar porventura que a verdadeira razão deste texto se centra no pormenor de que já perdi a conta a todas as bestas a quem fui obrigado a tratar com respeito - por educação, quando estes brutos indivíduos sentiam-se mal por estarem na presença de pessoas com conhecimento, e que podem desmascarar a sua ignorância.

Sim, Yuri, mas e o tal problema? Simples. A indústria de graduados do país está, desde sua origem, longe de cumprir o papel de estimular o conhecimento. A imagem de atraso é tanta que, ineficiente, o tolo terceiro grau deveria ser hoje apenas motivo de piadas.

Um exemplo claro deste Ad Hominem é o fato de que essa casta formação intelectual acadêmica é a mesma que tolera um analfabeto na presidência da república (analfabeto por se orgulhar em ser iletrado), mas repudia quem não tem o curso superior.

Patéticos e inúteis, a grande maioria de nossa classe graduada considera ser o "verdadeiro conhecimento", aquele onde o indivíduo é obrigado a cursar um determinado número de cadeiras e uma determinada grade curricular.

Um pensamento válido, porém inócuo, posto que não se tenha controle sobre o que aprendemos, já que a educação é algo pessoal, estimulada não só pelos fatores externos, mas filtrada pelas aptidões.

Aqui, existe um culto imbecil ao canudo, que estigmatizaria um Euclides da Cunha por ser autodidata e o consideraria inferior por não ter um diploma superior.

Na mesma linha, seria impossível um Amador Aguiar surgir hoje em dia e criar um Bradesco. Primeiro porque ele sequer conseguiria uma vaga como contínuo por ter somente o primário completo.

Não sou contra, aviso logo, a instituição do diploma; sou contra, sim, sua veneração, contra a “graduotice”, enfim - contra essa indústria de "universotários".

Não proponho que dispensem o canudo para imporem-se como intelectuais da expressão de Luís Fernando Veríssimo, Millôr Fernandes, Paulo Francis; criados neste país em que se formar em direito ou medicina é mais uma praxe, um clichê.

A verdade é que, ou o país acorda dessa cultura de imbecil-coletivo ou continuará Ad Infinitum, sendo esta pátria de dementes, onde se é mais culto quem lê Seleções.

sábado, 1 de novembro de 2008

A construção da linguagem: o poder e os limites da fala

Já conhecimento de todos; a linguagem nunca foi a minha praia. Mas, ultimamente, tenho analisado bastante o poder e os limites da fala. Aonde ela chega e até onde ela pode ir. E, muito mais que isso, a sua capacidade de construção em meio a um mundo pós-moderno tomado por valores volúveis e efêmeros.

É certo que as relações interpessoais, quando consumadas de forma física (partindo de um pressuposto sensorial), também, falam muito. Mas tenho percebido que essa forma de expressão nem sempre diz tudo, e, é exatamente esse dito, que pode vir a se tornar uma poderosa ferramenta de construção de valores em nosso contexto sócio-cultural.

Pensando assim me permiti refletir mais sobre a máxima do "papa" da filosofia da linguagem, Wittgeinstein: "Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo". Até onde refutar ou concordar com a afirmação do pensador?

Em suas Investigações Filosóficas, Wittgeinstein diz que o sujeito tem a capacidade de batizar o seu objeto de acordo com a sensação privada que ele tem do mesmo. Exemplo?! Se digo "eu te amo" à alguém, este meu objeto pode estar recebendo uma informação arbitrária.

Nem mesmo o sujeito pode ter a certeza do que se está falando. Quem disse que o que falo não pode ser nomeado, sei lá, de "quero transar com você"? O sujeito então não teria justificativas ou critérios para legitimar a sua fala, e esta correria um grande risco de não ser verdadeira. Ou não!!!

O melhor vem agora, quando o pensamento é visto às avessas: a forma de amar dita pelo sujeito pode ter uma interpretação única dele, exatamente porque é privada. E ele tem a total liberdade de dizer - ou batizar- o que sente, e da forma dele, ao seu objeto.

Já o objetvo, por sua vez, terá o total entendimento da fala (do mesmo sujeito), porque compreendeu exatamente o que acabou de ser dito. Construiu-se, enfim, uma linguagem (e uma linguagem própria). Interessante, não é?!

Pensando em meu exemplo, acho que é por isso que as pessoas, hoje, tem tanto medo de dizer o que sentem. Temem a significação dessa fala no receptor. (Há quem fale até no peso da responsabilidade daquilo que se diz.).

Pura bobagem!

Se as pessoas bem soubessem o quanto é edificante dizer, da forma mais transparente, o que se tem na mente. Independente da nomenclatura dada a esse sentimento ou objeto (e é exatamente isso o que menos importa), apenas dizer, simplesmente... sem regras, sem medos, sem melindres...

Então, pra quê mesmo se preocupar com isso? Por que achar que é possível ou impossível dar nomes ao que se pensa ao falar de uma sensação privada, se ela já encontra, pois, o seu espaço na linguagem? E vou mais além... Prá quê buscar palavras na razão? Prá quê?

Afinal, por que mesmo estou falando isso tudo?

Pronto, desconstruí!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Escritor de palavras

Papel e caneta

Flerto com as palavras, tal qual a borboleta flerta com as flores. Gosto do jeito como cada palavra se beija, formando sons que insistem em fazer meus sentimentos e sensações dançarem juntos, num baile tão estranho quanto os pedaços de história que se eternizam em papel e tinta.

... Em papel-tinta-monitor-teclado-cabeça-pensamento.

As palavras, quando escritas, servem para perpetuar meus momentos. Elas se abrem em flores, para as já comentadas borboletas. E da combinação de algumas letras, eu vou fazendo uma história; vou fazendo uma vida.

As palavras são o que tenho de mais parecido com aqueles olhos que tenho por dentro, e que me vêem sofrer quanto tento, sofregamente, por na tela fria de meu computador tudo aquilo que eu penso; tudo aquilo que eu quero; tudo aquilo que eu sou.

A Clarice que o diga... Dizer o indizível; traduzir uma festa de emoções, sensações e percepções em palavras.

Ah, a Clarice...

Eu, com as palavras, descrevo gestos e atitudes. Essas me fazem perder o fôlego, tatear e esquecer-se do instante anterior.

É como um querer louco, que me inebria os sentidos, desafiando minha razão. É como um encontro, uma ansiedade esperada, uma explosão de emoções. É a palavra, farfalhando textos, sensações e sentimentos.

Ela adentra meu olhar curioso, saliva em minha boca, e consegue, por um instante, tocar o meu sentido – com meus próprios dedos.

O que eu escrevo me é, sempre, comestível. Cada palavra me é sorvida como um bálsamo; banhado pela luz difusa do fim de tarde, que insiste em invadir minhas mãos e pensamentos.

Sem pedir licença, igualzinho você, leitor.

domingo, 30 de março de 2008

Transcendendo os limites da compreensão humana: Frida Kahlo

Como alguém pôde suportar tantos açoites no corpo e na alma, e transpor tais dores para seus pincéis e telas com uma firmeza invejável?

Falo de Frida Kahlo, que, movida pelo amor e pela dor, retratava em suas telas a própria vida.

As obras de Frida são a expressão máxima da subjetividade intraduzível e inquantitável. Amor, agonia, tristeza e beleza caótica norteiam os seus traços.

A forma com que Frida soube expressar seus sentimentos, em suas pinturas, é maravilhosa, sensível e feminina. Sim, uma bela e muito forte alma feminina: linda e sensual.

Frida sofreu ao longo de toda sua vida, com dores do corpo e da alma; conseguindo transformar esse sofrimento em arte. Uma arte impactante e por vezes chocante, que luta contra tudo e todos ao mesmo tempo, e ainda assim pede carinho e atenção.

O primeiro contato que tive com a pintura de Frida, nem lembro quando, foi através de um cartão postal com a pintura de uma mulher chorando placidamente, e a sua coluna vertebral aos pedaços.

Nesta obra, Frida demonstra uma dor inquietante, através de pequenos alfinetes em sua pele; onde, no meio de seu corpo, há uma coluna, em estilo grego, quebrada; representando o seu próprio estado físico e emocional.

Fiquei chocado. Sua obra me passou um misto de dor e medo. Uma mistura de reações tomou o meu corpo: repulsa, espanto, náusea, enlevo, horror, e admiração; a ponto de eu ficar pensando nela por dias e dias.

Essa obra me causou certas sensações devido ao sofrimento tão evidente, e a sua tristeza tão elevada. Hoje creio que, na época, o que me perturbou foi o fato de Frida encarar e retratar suas dores e seus amores com tanta coragem - e de uma forma tão explícita.

Sua capacidade de transformar tanto sofrimento em arte é impressionante. Principalmente na explosão de cores em que se traduziu esse sofrimento. Frida transcendia os limites da compreensão humana.

Frida Kahlo é uma dessas pessoas cuja grandeza nos mostra o quanto o ser humano é capaz de se superar e transformar a vida, transformar o mundo, mudar os conceitos e os pré-conceitos, escrever sua história e não ser vítima, apesar de todos os obstáculos.

Alem de sua imagem com perspectivas corretas e sombreamento, Frida pintava suas angustias e anseios. Como ela mesma nos diz em seu diário: "Estou escrevendo com meus olhos", e é aí justamente que está a sua excelência.

Ela escreveu e pintou a sua vida, não houve separação da pessoa/artista, sua obra é seu espelho.

A vida de Frida Kahlo com certeza foi a sua mais fantástica obra. A pintura foi simplesmente um instrumento.

Profunda, libertária, bela, suprema, dilacerante, passional, mulher: esta é Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón. Apaixonada pelas cores, pelo prazer - e pela dor, por que não? - pela vida.

quarta-feira, 26 de março de 2008

A estupidificada e silente juventude estudantil maranhense

Protesto estudantil
Fisgado pelo texto Estudantes vão "desinfetar" Palácio dos Leões com creolina por causa da visita de Hugo Chávez ao MA, no blog do jornalista Décio Sá, aproveito aqui para manifestar o que penso sobre certas linhas de raciocínio das lideranças e entidades de movimentos de juventude e estudantil do Maranhão:

Nossa atual geração de militantes e dirigentes de movimentos de juventude e estudantis, em especial a de São Luís, transformou-nos numa província sob o império da idiotia.

Opaca e intelectualmente espúria, a juventude estudantil maranhense, palhaça como é, promete usar, como sempre, o famigerado nariz de palhaço, em forma de protesto contra vinda do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao estado do Maranhão.

Claro que não estou fazendo continência à vinda desse destruidor de país - que é o presidente venezuelano - ao estado. Longe disso. Mas acho, no mínimo, despropositado o motivo que levou o movimento estudantil a querer entrar em protesto.

Absorto em sua cegueira mental, o governador Jackson Lago praticará mais uma chanchada contra a educação maranhense, implantando, no Maranhão, o programa ‘Yo si Puedo’, do governo Chávez; e essa casta amoral, que hoje está sob os auspícios do próprio Governo, prefere continuar na volúpia doentia de desonrar os palhaços, coitados; e assistir a esse adultério lamentável de País e Estado.

O ‘Yo si Puedo’ é uma versão cubana do tele-ensino; implantado no governo Roseana Sarney, e apropriado pela Venezuela. Aliás, quem não se lembra do tele-ensino sendo duramente criticado e usado como discurso de campanha, por Jackson Lago?

Creio que nossa juventude estudantil não lembra! Na verdade, ela não sabe é de nada... A verdade é que esse bando de malandros, quando resolve se levantar em protesto, sempre é por razões nada contundentes.

Longe de mim a intenção de sugerir que o ‘movimento revolucionário’ dos estudantes esteja investindo contra moinhos de vento. Porém, a formação de opinião desses movimentos só pode ser chamada de burrice.

Esse é o signo de liberdade do Maranhão: uma classe estudantil estupidificada e silente.