De uns tempos pra cá, ando estudando uma ferramenta da rede social Orkut, que denuncia quem visitou mais recentemente o nosso perfil - e que denuncia a nossa visita, em perfis de outros usuários, também.
Em conclusão, tenho que a idéia da ferramenta espiã é de nos incitar a ir ao perfil do outro. Conhecê-lo. Ante esta idéia, fiquei pensando: por que temos toda essa curiosidade sobre o outro?
Vendo pelo lado positivo, penso que é a ânsia de conhecermos uma pessoa que provoca isso. Afinal, não é outra a razão porque lemos biografias e reportagens sobre este ou aquele indivíduo, assistimos entrevistas com fulano e sicrano.
Vejo como positivo aqui esse desejo de conhecermos, de "desvendarmos" uma pessoa que admiramos ou estimamos - ver os seus outros lados. Aqueles que ela não mostra para nós, por pudor ou por falta de oportunidade, porque o contexto não é compatível, ou - será este o nosso temor secreto, a raiz mais profunda da nossa ânsia? - porque não inspiramos confiança para que ela se revele a nós.
Saber o que ela pensa sobre isto e aquilo. Conhecê-la. Essa vontade pode criar no mundo virtual uma premência ímpar, já que tudo o que tocamos do outro são palavras, e idéias que expressa por meio delas.
Ficamos diante de um texto - na blogosfera é comum - e pensamos: "Quem é esta pessoa?" E, se o texto nos fascina, a pessoa atrás dele passa a nos fascinar também.
Não que isso não acontecesse no passado. A internet apenas deu roupagem nova a fomes/desejos antigos, trazendo a excitante possibilidade do feedback instantâneo.
O extremo oposto é o lado negro. Obsessão com o outro. Ciúme doentio. Desejo de controlar, e de vigiar. Daí, o Estado Policial - não , não vou falar de política. E o fato de alguns sentirem suas vidas tão pobres e desinteressantes que precisam ficar assistindo a vida alheia (BBB e similares).
Pode ser que nem sempre seja assim; pode ser. Conheço pessoas encantadoras que veem (argh!) essas coisas. Uma delas disse-me que assistir pode ser viciante. Possivelmente é. Mas talvez ainda não seja tão perigoso como quando nos viciamos nas pessoas menos distantes, querendo tudo delas, sufocando-as, espionando-as pelos recados dos orkuts da vida com o intuito de brigar, comprovar infidelidades; perseguir como "fãs" - alguém viu o filme O Fã: Obsessão Cega? Pois é.
Julgo que o sentimento de curiosidade, o anseio de conhecer, não é mau em si. A maioria dos nossos sentimentos não o é. Contudo, tem seu aspecto perigoso, sombrio, deturpável.





